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Microsoft ativa backups automáticos no Windows 11, mas trava na UE

Windows Settings Backup and Restore passa a ligado por omissão no Windows 11 26H2 fora da União Europeia. Em Bruxelas, o opt-in continua a ser obrigatório por causa da lei.

Microsoft ativa backups automáticos no Windows 11, mas trava na UE

A Microsoft decidiu que o Windows 11 vai começar a fazer cópias de segurança de definições por defeito. Mas só se o teu PC não estiver na União Europeia. Aqui, o botão automático fica desligado à custa de reguladores e leis como o DMA (Digital Markets Act).

O que está em causa é o Windows settings backup and restore, antes conhecido como Windows Backup for Organizations. A funcionalidade guarda nas nuvens da Microsoft as definições do dispositivo e a lista de apps instaladas pela Microsoft Store, para facilitar a reposição num novo PC ou depois de um reset. Não guarda ficheiros pessoais, não é um backup completo. É mais um atalho para acelerar refresh de parque e migrações para novos modelos, incluindo os tais PCs com IA que a Microsoft anda a empurrar.

A mudança chega com o Windows 11 versão 26H2, atualmente em testes no canal Experimental do programa Windows Insider. Em quase todo o lado, dispositivos elegíveis que tenham a política de backup em “Not Configured” passam a ter o backup ligado automaticamente quando a versão ficar disponível em geral. Ficam de fora a UE, máquinas com Windows 11 25H2 ou anterior e qualquer dispositivo onde o administrador tenha definido explicitamente que o backup está desativado.

Para quem gere parques de PCs em empresas, o detalhe importante é este: fora da UE, isto é opt-out, não opt-in. Ou seja, se não quiseres que as definições dos teus utilizadores sejam enviadas para servidores da Microsoft, tens de ir mexer na política e desligar. A empresa lembra que uma política explícita “ganha” sempre ao valor por omissão, mas isso não apaga o essencial, que é um serviço de telemetria alargada a ser ligado em silêncio sempre que alguém se distraia na configuração inicial.

A própria Microsoft admite que isto não é uma solução de backup séria, apenas “um passo num esforço mais amplo de resiliência do Windows”. O objetivo declarado é ajudar as organizações a acelerar ciclos de renovação de PCs, a transição para o Windows 11 e a adoção de gestão cloud-first. Traduzindo: menos controlo local, mais dependência da infraestrutura da Microsoft. Na UE, essa ambição esbarra num quadro regulatório que já pôs a empresa debaixo de escrutínio em temas fiscais e de concorrência, como se viu no recente relatório europeu sobre os malabarismos fiscais da Microsoft.

Para o utilizador doméstico, isto pode até soar confortável, perder o portátil e recuperar em minutos parte do ambiente. Para empresas com requisitos de soberania de dados ou regras internas rígidas, é mais uma caixa para desmarcar e mais uma verificação na checklist de compliance. A linha de fratura é antiga: conveniência contra controlo. Desta vez, a UE ficou do lado do travão, o resto do mundo fica com o acelerador carregado por defeito.

Fonte: The Register

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