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Microduck, o pato-robô da Hugging Face que quer morar na tua secretária

A Pollen Robotics abriu pré-venda do Microduck, um robô bípedo de 25 cm com software open source. É brinquedo, plataforma de IA ou só marketing com penas digitais?

Microduck, o pato-robô da Hugging Face que quer morar na tua secretária

A Pollen Robotics, braço de robótica da Hugging Face em Bordéus, pôs em pré-venda o Microduck: um pato-robô bípedo de 25 cm, um olho só, 15 motores e menos de 800 g. Custa 399 dólares antes de impostos e portes, qualquer coisa como ~370€, e as primeiras unidades estão prometidas para antes do Natal de 2026 na América do Norte, Europa e Reino Unido. Sim, é literalmente um pato amarelo que anda, se levanta quando cai e apanha meias do chão.

Do lado técnico, o Microduck corre um Rockchip RK3566 com acelerador de IA, 1 GB de RAM e 32 GB de armazenamento interno. Vê por uma câmara frontal, mede distâncias com um pequeno LiDAR de matriz 8×8 time-of-flight e tem duas unidades de medição inercial, uma no corpo e outra na cabeça. Há um ciclo de decisão a 50 Hz que liga o modelo de IA aos sensores e define o próximo movimento. Não é um monstro de computação, é um brinquedo sério para quem quer experimentar controlo, visão e IA embebida em hardware real.

A alimentação é prosaica e sensata: uma bateria NP-F550 de 2.600 mAh, daquelas usadas em vídeo, amovível, com cerca de uma hora de autonomia. Um acessório opcional troca os pés por rodas para patins em linha robóticos e junta uma bola, uma tag NFC com etiquetas e um ponteiro laser que o pato segue com a câmara. A própria Pollen diz que corridas e futebol entre vários Microduck foram o que o fez “ganhar vida” em teste. A mensagem é clara: isto ganha piada em grupo, não em cima da prateleira ao lado do router.

Onde a coisa fica mais interessante é no modelo aberto. Todo o software é open source, já hoje, meses antes dos primeiros patos chegarem aos compradores. O SDK e o software do robô vivem num repositório no GitHub, as ferramentas de reinforcement learning e de simulação noutro. A ideia é ensiná-lo em simulação e depois empurrar a habilidade para o robô físico. Isto encaixa bem na vaga europeia de robótica “física + IA”, da qual já falámos quando olhámos para o Berkeley Humanoid Lite: hardware relativamente acessível, software aberto e muita experimentação académica e maker em cima.

No hardware, a conversa muda. A Pollen foi invulgarmente explícita no press kit: a declaração de open source cobre só a pilha de software, não há ficheiros mecânicos nem electrónicos abertos, e pede até aos jornalistas para não lhe chamarem hardware open source. Um porta-voz disse ao The Register que não há planos para o abrir. Isto coloca o Microduck num meio-termo curioso. Mais transparente que o típico brinquedo fechado, mas muito longe da filosofia de projetos verdadeiramente abertos onde se pode clonar, modificar e fabricar a máquina inteira.

Posto isto, para quem é este pato de 399 dólares que só levanta 100 g com o bico? Para um consumidor comum, é um brinquedo caro. Para escolas, laboratórios e equipas de investigação, é um corpo de teste simpático para locomção bípede, visão e controlo em grupo, com menos dores de cabeça que um kit “faz-tudo-tu-mesmo”. E, claro, é também um sinal de como a Hugging Face, agora no radar de gigantes como a Nvidia, quer esticar a sua marca para lá dos modelos de linguagem. Se isto é o futuro da robótica acessível ou apenas um pato-robô fotogénico, vai depender menos das acrobacias e mais do que a comunidade conseguir ensinar a este bicho de plástico.

Fonte: The Next Web

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