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Meta lança Muse Charm e óculos de IA que parecem normais

Meta estica a aposta em dispositivos de IA com o Muse Charm no porta‑chaves, uns óculos de realidade virtual em formato clássico e novos Ray‑Ban de áudio que gravam sem avisar ninguém. A corrida para o pós‑smartphone acelera, a regulação continua a passo.

Meta lança Muse Charm e óculos de IA que parecem normais
Imagem: Meta

Meta decidiu que a IA já não chega num ecrã de telemóvel. Na Meta Connect, na Califórnia, Mark Zuckerberg apresentou o Muse Charm, um pequeno gadget para o assistente Muse que cabe num porta‑chaves, e uma nova vaga de óculos: realidade virtual que parece óculos de sol, e Ray‑Ban “sem câmara” que continuam a gravar, mas agora só áudio. Segundo o Independent, a mensagem é clara: o sucessor do smartphone, na visão da empresa, vai à cara e ao bolso, sempre ligado e sempre a ouvir.

O Muse Charm é um dispositivo de IA de bolso, com ecrã tátil de cerca de 2 polegadas, ligação 5G integrada e dimensões próximas de uma caixa de AirPods da Apple. Zuckerberg descreveu-o como “toda a experiência Muse” comprimida num objeto que se prende ao porta‑chaves e está sempre pronto para falar. O detalhe importante: é um aparelho dedicado ao assistente, sem câmara, pensado para quem quer interagir por voz em qualquer lado sem tirar o telemóvel do bolso. Meta diz que chega a tempo das festas de fim‑de‑ano, mas não revelou preço, o que para um produto de massa é um silêncio eloquente.

Em paralelo, a empresa mostrou os seus primeiros óculos de realidade virtual suficientemente finos para passarem por óculos escuros normais. Os Meta VR Glasses custam $1.299, cerca de 1.200€, e tentam aproximar-se das capacidades do Apple Vision Pro com um formato bem mais discreto. Pesam sensivelmente o mesmo que um baralho de cartas, algo conseguido ao empurrar bateria e processador para um “puck” separado no bolso. Respondem a olhar, gestos das mãos e voz, e só chegam na primavera de 2027, o que diz muito sobre quão longe este segmento ainda está de ser banal no dia a dia.

Mesmo assim, há quem não esteja convencido. A analista Linda Sui, citada pelo Independent, elogia o peso em torno dos 100 gramas, mas sublinha que os cenários de utilização continuam, em essência, os mesmos dos antigos headsets VR. A diferença está mais no conforto do que no tipo de coisas que se faz com o aparelho. Juntando um preço alto, fica a dúvida sobre quantas pessoas estão dispostas a trocar um headset pesado por uns óculos caros para fazer basicamente o mesmo.

Onde o debate aquece é nos novos Ray‑Ban Meta Audio. São óculos “sem câmara”, criados na parceria com a EssilorLuxottica, que à primeira vista respondem à contestação em torno de dispositivos que filmam discretamente. Só que estes óculos continuam a gravar áudio, sem qualquer sinal visível para quem está por perto, ao contrário dos modelos com câmara, que acendem uma luz quando estão a filmar. Começam nos $349, cerca de 320€, a partir de 13 de outubro, e são 100 dólares mais baratos do que os Ray‑Ban com câmara, que ganham dois novos estilos clássicos, Aviator e Zena. É a mesma lógica dos óculos sem câmara noutras marcas: tenta-se acalmar o escrutínio visual, mas o microfone continua lá.

Todos estes dispositivos partilham o mesmo cérebro: o Muse torna-se agora a interface principal dos óculos de Meta, com comandos de voz para compras, marcação de serviços e até uso do computador, incluindo integrações com retalhistas como Walmart, Best Buy ou Gap. Silicon Valley está a despejar milhares de milhões em forma factors de IA que “veem, ouvem e respondem ao mundo”, como escreve o Independent. O problema é que a fronteira entre conveniência e vigilância fica cada vez mais fina, e a Meta, com o seu histórico de privacidade e já com processos e proibições em alguns espaços públicos no Reino Unido, não é exatamente a marca a quem se dá o benefício da dúvida. Se estes gadgets forem mesmo o “pós‑smartphone”, é provável que a próxima grande batalha não seja técnica, mas legal.

Fonte: iidependent

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