A Raven Resonance quer pôr um verdadeiro computador Linux na cara de quem o usar. Chama-se Prism 1, parece um par de óculos de massa relativamente normal, mas por dentro tem processador, armazenamento, ecrã embutido nas lentes e um sistema operativo próprio baseado em Linux, o RavenOS, pensado para funcionar sem depender do telemóvel.
Segundo a marca, o Prism 1 é um “ambient computer”: um dispositivo que está sempre presente, mas que não exige a mesma atenção de um portátil ou de um smartphone. A interface aparece no campo de visão do utilizador, pode ser controlada com os olhos e com a voz e é desenhada para funcionar em sessões mais longas, sem a fadiga típica de muitos óculos de realidade aumentada. A ideia é ambiciosa, mas não está sozinha num mercado onde já existem propostas como os Xreal Aura com Android XR.
O hardware está todo integrado na armação, de tom escuro em degradé, o que lhes dá um ar bem mais discreto do que a maioria dos óculos inteligentes que se têm visto nos últimos anos. O computador corre RavenOS, descrito como uma distribuição Linux personalizada, aberta a desenvolvimento por terceiros. A diferença aqui é que este não é um simples “viewer” ligado ao telemóvel, é suposto ser um computador autónomo que vive na tua cara.
Um dos detalhes mais curiosos é o sistema de alimentação: módulos de bateria magnéticos que se encaixam diretamente nas hastes. A Raven Resonance fala em hot-swap, ou seja, trocar baterias sem desligar o sistema. É uma solução bem mais honesta do que fingir que um dispositivo deste tipo aguenta um dia inteiro num único carregamento. Obriga a andar com baterias no bolso, mas assume a realidade física do produto em vez de a esconder em marketing.
O controlo por olhar é outro ponto central. O Prism 1 recorre a eye-tracking para navegar pela interface, algo que até agora só se tem visto de forma convincente em headsets caros de realidade mista. Se a implementação corresponder à promessa, pode ser uma vantagem real em relação a óculos que dependem de um comando externo ou de gestos no ar pouco fiáveis. Em contrapartida, abre também o livro da privacidade: recolher e processar movimentos oculares em permanência é um prato cheio de dados sensíveis, e por agora não há muitos detalhes públicos sobre como isso é protegido.
Mais do que o hardware, o que vai ditar o futuro do Prism 1 é o software. Um Linux aberto na cara soa bem para quem programa ou gosta de mexer em sistemas, mas o público em geral precisa de aplicações concretas e de uma interface que não pareça um desktop encolhido para caber numa lente. O facto de a plataforma ser aberta pode atrair uma comunidade semelhante à que animou o Android nos primeiros anos, ou pode ficar presa num nicho de entusiastas se a experiência for áspera no dia a dia.
A marca apresentou o Prism 1 num evento em São Francisco e abriu reservas através do seu site oficial. Ainda não há calendário claro para chegada à Europa nem preços em euros, e isso vai ser decisivo. Se o custo final se aproximar dos headsets XR mais baratos, terá de convencer contra propostas já estabelecidas como os óculos da Xreal. Se for mais caro, vai ter de justificar cada grama na cara e cada minuto extra de autonomia. A ideia de um computador Linux discreto no rosto é sedutora, mas o mercado já queimou várias tentativas semelhantes, de forma que a Raven vai ter de mostrar mais do que slogans.
Fonte: New Atlas
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