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Meta desliga IA Muse do Instagram após três dias e fúria em Hollywood

A IA que permitia gerar imagens a partir de perfis públicos de Instagram durou três dias. Meta recuou quando percebeu que brincar com direito de imagem já não passa impune.

Meta desliga IA Muse do Instagram após três dias e fúria em Hollywood

Três dias. Foi quanto durou o Muse Image, a nova ferramenta de IA da Meta integrada no Instagram e na app Meta AI. O modelo, o primeiro a sair dos Meta Superintelligence Labs, permitia gerar imagens a partir de fotos de qualquer conta pública no Instagram, sem pedido de consentimento prévio. Hollywood não achou graça nenhuma. E matou o brinquedo em tempo recorde.

O mecanismo era simples e precisamente por isso perigoso. No chat da Meta AI, em Instagram ou WhatsApp, bastava mencionar um perfil público para a IA gerar imagens inspiradas nas fotos dessa pessoa. Contas privadas e menores de 18 anos ficavam de fora, mas todo o resto do mundo era incluído por defeito. Quem não quisesse servir de matéria-prima tinha de ir às definições e fazer opt-out. Em 2026, isto já não é um detalhe técnico, é uma escolha política.

A Meta justificou o recuo com a frase de sempre. Ouvimos o feedback, a funcionalidade “falhou o alvo” na privacidade e já não está disponível. Mas a arquitetura de base seguia o padrão a que o grupo nos habituou: tudo opt-out, nunca opt-in. Na Europa isto não é apenas impopular, é juridicamente frágil à luz do RGPD e das novas regras digitais da UE, que já puseram o modelo “paga ou consente” da Meta debaixo de fogo regulatório. Em Portugal, qualquer figura pública ou influenciador que viva da sua imagem teria bons argumentos para chamar a CNPD à conversa.

Em Hollywood, a resposta foi imediata. O sindicato SAG-AFTRA, que representa mais de 160 mil profissionais de cinema e televisão, pediu aos membros e a todos os utilizadores de Instagram que desligassem a funcionalidade. A agência CAA, com clientes como Tom Cruise ou Charlize Theron, avisou que nome, imagem, voz ou obra criativa não deviam ser usados por modelos de IA sem consentimento claro e documentado. A atriz Hannah Einbinder publicou no Instagram a denunciar que a opção vinha ligada por defeito e chamou os seguidores à ação. Menos de 24 horas depois de Mark Zuckerberg ter defendido publicamente o sistema, a Meta cedeu.

Para quem segue a empresa, não há surpresa. O padrão repete-se: a Meta lança um produto que estica o limite da privacidade ou do uso de dados, espera ver até onde consegue ir, e só recua quando a pressão pública, política ou regulatória aperta. Aconteceu com o modelo “paga para ter privacidade” na Europa, já o tínhamos visto nos óculos com câmara permanente e agora volta a surgir colado à IA generativa. A mensagem, para já, é simples: a empresa só reconhece que passou a linha quando alguém lhe puxa o tapete.

Para quem usa Instagram em Portugal, isto mostra outra coisa. Não interessa se és estrela de cinema ou fotógrafo amador, a tua imagem vale o suficiente para ser tratada como combustível de treino e geração por defeito. Quem quiser continuar na plataforma terá de navegar este tipo de armadilhas de configuração com atenção cirúrgica. E, enquanto a Meta insistir neste reflexo de “liga primeiro, pergunta depois”, a regulação europeia vai ter trabalho garantido e as próximas polémicas não vão demorar.

Fonte: The Next Web

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