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Meta apaga 1,4 milhões de contas de burla em operação conjunta

Meta, Microsoft, Coinbase e Starlink juntaram‑se ao Departamento de Justiça dos EUA e polícia internacional para desmantelar redes de burlar online no Sudeste Asiático. O problema está longe de resolvido.

Meta apaga 1,4 milhões de contas de burla em operação conjunta

Quando uma operação envolve Meta, Microsoft, Coinbase, Starlink, o Departamento de Justiça dos EUA e polícia de meio mundo, não estamos a falar de meia dúzia de perfis suspeitos. Numa semana, a partir de 18 de maio, o grupo reuniu‑se em Washington para trocar dados sobre redes de burla com origem no Sudeste Asiático. O resultado: Meta diz ter identificado e desactivado mais de 1,4 milhões de contas, páginas e grupos no Facebook e Instagram usados em esquemas de fraude.

O foco foram redes que atacam sobretudo norte‑americanos com esquemas de romance, as chamadas fraudes de “pig butchering” ligadas a criptomoedas e falsas autoridades policiais. Em paralelo, recrutam pessoas da própria região com ofertas de emprego que acabam em trabalho forçado em “compounds” dedicados a enganar vítimas online. É a parte que raramente aparece nos anúncios de sensibilização: por trás do golpe ao utilizador estão muitas vezes vítimas em modo fábrica de spam humano.

Ao partilharem informação em tempo real, as empresas dizem ter conseguido “ligar pontos” entre dados dispersos em várias plataformas. Microsoft suspendeu cerca de 20 mil contas associadas a burlões, Coinbase congelou mais de 3 milhões de dólares em cripto ligada a estas redes, e a Starlink desligou milhares de kits que identificou como estando ao serviço dos criminosos. As autoridades falam em 63 detenções até agora e em novos centros de burla mapeados para futuras acções.

Há aqui uma leitura dupla. Por um lado, esta cooperação entre gigantes que normalmente competem é rara e mostra que as redes de burla já estão num nível em que a abordagem “cada um limpa a sua casa” falhou. Por outro, o número de contas removidas expõe a escala do problema dentro do próprio império da Meta. A empresa tem sido criticada por deixar prospetar burlões nas suas plataformas enquanto factura, segundo investigações recentes, milhares de milhões de dólares por ano em anúncios com esquemas de marketing duvidosos. Se já reportaste um anúncio obviamente fraudulento e recebeste a resposta de que “não viola as normas”, sabes que a crítica não é académica.

A Meta tenta montar uma narrativa de limpeza: em 2025 diz ter removido 159 milhões de anúncios de burla e 10,9 milhões de contas ligadas a centros de fraude. Já tinha anunciado o derrube de mais de 2 milhões de contas associadas a esquemas de “pig butchering” e avançou com processos judiciais contra anunciantes no Brasil e na China que usavam deepfakes de celebridades para atrair vítimas. Em março, lançou ainda ferramentas de IA para detectar impersonação de marcas e figuras públicas e alertar utilizadores em conversas suspeitas.

Para quem está em Portugal, isto parece longe, mas não está: os mesmos modelos de burla, os mesmos criativos, a mesma infraestrutura publicitária global alimentam spam em português no feed do Facebook e nos Stories do Instagram. Esta operação conjunta é um sinal de que as plataformas conseguem mexer‑se rápido quando querem e quando há pressão política séria. A pergunta prática é se esta coordenação vai tornar‑se rotina ou se ficamos por umas manchetes, enquanto o scroll continua cheio de esquemas com português torto e promessas de lucro fácil.

Fonte: Engadget

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