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Máscara PNOĒ 2.0 leva o teste metabólico do laboratório ao ginásio

A nova máscara da PNOĒ promete medições de VO₂ max e 23 biomarcadores em oito minutos, sem técnico especializado. Mira o negócio dos ginásios e spas, não o consultório médico.

Máscara PNOĒ 2.0 leva o teste metabólico do laboratório ao ginásio
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

À primeira vista parece um adereço de vilão de banda desenhada, mas a nova máscara da PNOĒ foi desenhada para outra coisa: medir como respiras e transformar isso em recomendações sobre treino, alimentação e, em teoria, longevidade. Segundo o TechCrunch, a PNOĒ 2.0 chega a 1 de outubro e quer levar para o ginásio um teste que até aqui vivia em laboratórios desportivos e hospitais.

O princípio é antigo. A PNOĒ faz testes metabólicos, ou seja, analisa oxigénio consumido e dióxido de carbono expirado para perceber como o corpo produz energia. É a base da medição de VO₂ max, o tal indicador de capacidade cardiorrespiratória que se tornou fetiche do universo “longevity”. A diferença está no formato: em vez de máquinas grandes e caras, a empresa condensa tudo numa máscara portátil ligada a software que cospe relatórios e planos.

Até aqui havia um travão pouco glamoroso, alguém tinha de operar o sistema. A nova versão tenta matar esse obstáculo. Quem manda na empresa, o cofundador e CEO Apostolos Atsalakis, descreve ao TechCrunch um cenário em que se entra no ginásio, se coloca a máscara, se carrega num botão e se respira durante oito minutos sentado. Nada de fisiologistas de bata ao lado. Para o mercado que a PNOĒ persegue, isto é o ponto: permitir que ginásios sem staff especializado, spas ou até farmácias possam vender o teste como mais um serviço.

A PNOĒ diz que mede 23 biomarcadores. Além do VO₂ max, fala de taxa metabólica em repouso, que indica quantas calorias se gastam sem fazer nada, e de flexibilidade metabólica, a capacidade de alternar entre queimar gordura e hidratos de carbono. Atsalakis argumenta que estes números respondem a perguntas que análises de sangue não cobrem bem, como necessidades calóricas reais ou o tipo de treino mais eficiente. A ambição é transformar esta métrica respiratória num género de score de performance e bem-estar que alimenta um negócio inteiro de serviços anexos.

O aparelho em si encolheu, tem menos peças e foi desenhado em parceria com a Design Group Italia em Milão, com muitas iterações, conta o TechCrunch. Importante em tempos pós-pandemia, a eletrónica desencaixa da máscara de silicone e das fitas, o que permite partilhar o hardware caro entre vários utilizadores, cada um com a sua máscara pessoal. No papel, é elegante, na prática continua a ser um dispositivo volumoso que dificilmente compete com a fricção zero de olhar para um smartwatch e ver um número estimado de VO₂ max.

Há também um limite assumido: a PNOĒ não tem aprovação da FDA norte-americana e insiste em classificar-se como dispositivo de bem-estar, não médico. Não há diagnósticos, não há prescrições com base nos resultados, apenas recomendações de estilo de vida e exercício. A empresa sonha usar a sua base de dados para, um dia, detetar doenças pela respiração, mas admite que isso está “a alguns anos” de distância e preso em regulamentação. Até lá, o modelo é claro: vende-se só a empresas, por subscrição entre 400 e mais de 1.000 dólares por mês, com hardware, software, formação e materiais de marketing incluídos, um verdadeiro “negócio na caixa” para ginásios, cadeias de hotéis ou clínicas de bem-estar que querem um gadget com ar científico a legitimar pacotes premium. Entre um exame clínico a sério e as estimativas simpáticas de um relógio de pulso, a PNOĒ tenta ocupar o meio. É um espaço lucrativo, mas também o mais fácil de confundir rigor com teatro biométrico.

Fonte: TechCrunch

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