Marvel Tōkon fica bloqueado em 132 países por causa da PSN da Sony
Novo fighter da Marvel repete o drama de Helldivers 2. Bloqueado em mais de uma centena de países por exigir PSN onde a PSN nem existe, mas a página Steam continua aberta.
Novo fighter da Marvel repete o drama de Helldivers 2. Bloqueado em mais de uma centena de países por exigir PSN onde a PSN nem existe, mas a página Steam continua aberta.
Marvel Tōkon: Fighting Souls ainda nem saiu e já herdou o pior tipo de legado da Sony no PC: bloqueios regionais absurdos por causa da exigência de conta PSN (PlayStation Network) em sítios onde a PSN simplesmente não opera.
Tal como aconteceu com Helldivers 2 em 2024, o backoffice da Steam confirma que o novo fighter 4v4 da Arc System Works e da Marvel “não estará disponível em 132 países”. A informação está em claro no SteamDB, mas o detalhe curioso é outro: muitos jogadores nesses países continuam a ver a página do jogo na Steam e, aparentemente, a conseguir comprá-lo. É a sensação estranha de estar a olhar para a montra de uma loja que legalmente não te pode vender nada.
Nos fóruns da Steam, um jogador relata que, quando a PSN era obrigatória para certos exclusivos da Sony, nem sequer conseguia aceder às páginas de God of War Ragnarök e Spider-Man 2. Assim que a exigência caiu, as páginas e a opção de compra reapareceram. Em Marvel Tōkon, a história é outra: a página é visível, a compra parece possível, mas a lista de países bloqueados diz o contrário. É um tipo de confusão que a Sony já teve tempo mais do que suficiente para evitar.
Outro ponto que roça o surreal: um utilizador lembra que o jogo deverá ser título de palco principal no EVO 2027, e que não é possível obter legalmente o jogo em Marrocos, um dos países que vai receber o torneio. Organizar uma competição global enquanto se bloqueia o acesso legal ao próprio jogo em parte dos países anfitriões é uma decisão curiosa, para ser simpático. A Sony fala muito em “comunidade” e “cross-play”, mas depois fecha a porta nos países onde não compensa montar infra-estrutura de PSN.
Convém lembrar que este é mais um capítulo na relação cada vez mais tensa da Sony com o PC. Entre a dependência da PSN, o foco crescente no digital e o fim anunciado dos discos de PlayStation a partir de 2028, que já analisámos em detalhe em como a marca está a matar o físico, a estratégia é clara: controlar acesso, contas e compras ao milímetro. O problema é que, quando essa obsessão passa pelo funil da geopolítica e das licenças regionais, há milhões de jogadores que deixam pura e simplesmente de contar.
Para os portugueses, a questão prática é simples: Portugal não está na lista de 132 países bloqueados, e a beta aberta de Marvel Tōkon: Fighting Souls para PS5 e PC está marcada para 24 a 26 de julho. Mas o impacto não é local, é estrutural. Quando um jogo competitivo ambicioso nasce já com metade do mundo de fora por questões burocráticas de contas e serviços, não é a comunidade que falha. É a plataforma. E aqui quem volta a carregar esse peso é a Sony.
Fonte: Eurogamer
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