GADGETS

Luffu Link é a nova pulseira LTE dos fundadores da Fitbit

James Park e Eric Friedman querem substituir o relógio de fitness por um “guardião silencioso” para famílias. A conta, porém, vai bem além do típico wearable barato.

Luffu Link é a nova pulseira LTE dos fundadores da Fitbit

James Park e Eric Friedman, os cofundadores da Fitbit que a Google engoliu e nunca soube bem o que fazer, estão de volta com hardware próprio. Chama-se Luffu Link, é uma pulseira com LTE e foco declarado em saúde e segurança familiar, mais “SOS inteligente” que contador de passos. Não há ecrã, não há notificações de WhatsApp, há um botão grande para registar voz, pedir ajuda e deixar a IA da app fazer o resto.

A Link custa atualmente 250$ em pré-venda, com preço final apontado aos 300$ (cerca de 275€) e envios previstos para o início de 2027. Por agora só mercado norte-americano, sem preço ou data anunciados para a Europa, o que coloca logo a primeira barreira mental a qualquer cuidador em Portugal que olhe para esta proposta. Em troca, a pulseira traz LTE incluído, sem plano de operadora separado, GPS permanente e sensores para o pacote habitual: atividade, sono, frequência cardíaca em repouso, calorias, variabilidade da frequência cardíaca e taxa respiratória.

A diferença não está nos sensores, está no que a Luffu diz fazer com os dados. O sistema vive acoplado à app Luffu, uma espécie de centro de comando para famílias que usa IA para organizar informação, aprender rotinas e sinalizar mudanças relevantes. O utilizador pode carregar num botão e ditar notas rápidas sobre medicação, sintomas, refeições ou humor. Essas notas de voz entram no contexto mais amplo da família e ajudam o “CEO da família”, expressão que Park usa e que diz bastante sobre o público-alvo: cuidadores que já gastam mais de 27 horas por semana a gerir saúde de pais idosos, filhos e afins.

Em vez de mais um painel cheio de gráficos tipo Fitbit, a Link promete respostas simples: o que mudou, se é importante, se alguém precisa de saber. A pulseira regista onde a pessoa esteve e avisa quando entra ou sai de áreas definidas, algo entre cuidado genuíno e vigilância potencial. Com um duplo clique, o utilizador pode fazer check-in sem ligar para ninguém, e num cenário de queda pode gravar uma mensagem tipo “caí e magoei o pulso, alguém pode vir buscar-me?”, que segue com localização, bateria e dados recentes de saúde para os contactos de confiança.

A Luffu insiste na ausência de ecrã como decisão intencional. O dispositivo quer ser “um guardião silencioso” no pulso, com design mais próximo de joalharia do que de relógio de ginásio ou pendente de emergência hospitalar. Em teoria, isto reduz o estigma para idosos que rejeitam dispositivos “de velhotes” e também fala para adultos que não querem mais um ecrã a disputar atenção. Em prática, é uma aposta numa categoria que a própria Google ainda não conseguiu consolidar, apesar de combinações tipo Pixel Watch + Fitbit + Google Health que já vimos em produtos como o Pixel Watch com métricas de saúde avançadas.

Para o mercado português, o conceito até faz sentido num país a envelhecer depressa e com famílias a fazer malabarismo entre trabalho, filhos e pais dependentes. O problema é o de sempre: preço alto, ausência de data para a Europa e dependência de um serviço em nuvem que, neste momento, vive fora da realidade regulatória e clínica europeia. A Luffu Link mostra que os fundadores da Fitbit ainda têm ideias claras sobre o que falta na saúde digital doméstica. Falta saber quem está disposto a pagar uma mensalidade mascarada em hardware caro, quando muitos já andam com um smartwatch no pulso a fazer metade disto, mesmo que com muito menos contexto familiar.

Fonte: TechCrunch

Newsletter

Os artigos que importam, duas vezes por semana.

Terça e sexta, cinco minutos de leitura. Sem spam, cancelas quando quiseres.

Comentários · 0