Karpathy já enterrou o vibe coding, agora é a vez dos agentes
O próprio criador do termo vibe coding passou à fase seguinte: agentic engineering. Menos romantismo a “vibrar” com código, mais sistemas de IA que fazem o trabalho quase todo sozinhos.
O próprio criador do termo vibe coding passou à fase seguinte: agentic engineering. Menos romantismo a “vibrar” com código, mais sistemas de IA que fazem o trabalho quase todo sozinhos.
Andrej Karpathy, ex-Tesla e uma das caras mais conhecidas da IA aplicada, batizou o vibe coding em fevereiro de 2025 e matou o conceito um ano depois. Em maio de 2026 anunciou que ia para a Anthropic reconstruir a equipa de pré-treino de modelos. E trouxe já a nova buzzword debaixo do braço: agentic engineering.
O vibe coding era simples de explicar: escrevias em inglês normal o que querias e deixavas o modelo gerar o código. As primeiras ferramentas de IA para programadores eram rápidas a montar estrutura, tolerantes a erros e perfeitas para um protótipo em fim‑de‑semana. Resultado: landing page em poucas horas, MVP em dias, muita confiança em gente que nunca abriu um manual de JavaScript.
O passo seguinte, o tal agentic engineering, sobe um degrau. Já não é só o modelo a cuspir ficheiros. O agente escreve o código, corre testes, lê erros, corrige, volta a correr testes e só então dá o trabalho como concluído. O papel humano passa a ser definir o objetivo, clarificar restrições, rever o resultado. Em equipas técnicas, como algumas mostradas num vídeo da Bloomberg, isto já é rotina mesmo que ninguém use o rótulo vibe coding para descrever o que faz.
Do lado académico, a lógica é parecida. A Harvard Gazette mostrou investigadores a usar agentes para criar ferramentas internas que há seis meses exigiam um developer dedicado. Cientistas, não programadores, escrevem um briefing e uma hora depois têm um utilitário funcional. No sector financeiro, a PYMNTS relatou um neobank nos EUA a lançar uma funcionalidade ao cliente final gerada inteiramente por um agente, revista pela equipa de compliance em quatro horas. Num contexto regulado, uma redução de quatro meses para meio dia não é detalhe, é choque de processo.
Para fundadores e freelancers, especialmente em mercados pequenos como o português, isto mexe com a matemática do negócio. Vibe coding era o “Canva do código”: bom o suficiente para não contratar alguém. Agentic engineering empurra o tecto do que uma pessoa sozinha consegue entregar. Falamos de features com testes e deploy, prontas para faturar, em dias em vez de semanas. O valor deixa de estar em saber escrever cada linha e passa a estar em saber decompor o projeto, escrever bons pedidos ao agente e fazer uma revisão crítica do output.
Na prática, o conselho é pouco glamoroso e bastante pragmático. Escolhe uma tarefa chata que adias há semanas, abre um ambiente tipo Claude Code ou Cursor, escreve o briefing como se fosse para um freelancer e deixa o agente trabalhar. Vais bater nas limitações depressa, e ainda bem. É aí que se aprende onde o agente falha, o que precisa de mais contexto, quando deves partir o trabalho em passos mais pequenos. Quem se agarrar ao romantismo do vibe coding como truque de festa arrisca-se a ficar preso na fase de protótipo enquanto outros já têm agentes a despachar backlog real.
Fonte: Forbes
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