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Juiz obriga Google a tornar mais simples instalar lojas rivais no Android

Depois de condenado por monopólio nas apps Android, o Google leva um puxão de orelhas em tribunal: a fricção nas installs de lojas rivais tem mesmo de desaparecer.

Juiz obriga Google a tornar mais simples instalar lojas rivais no Android

O processo Epic vs. Google continua a render mais do que muitas séries de televisão. Três anos depois de um júri ter concluído que o Google mantinha um monopólio ilegal nas apps Android, o juiz James Donato voltou a chamar a empresa à linha em São Francisco: instalar lojas de apps concorrentes na Play Store tem de ficar claramente mais fácil.

Recordando: em 2024 Donato decidiu que a forma de desfazer o controlo abusivo da Google Play era “abrir” a distribuição no Android. Ordenou que a Play Store passasse a alojar lojas rivais e lhes desse acesso total ao catálogo de apps do Google durante vários anos. Na teoria, isto criaria um verdadeiro mercado concorrencial dentro do Android. Na prática, Epic e o juiz olham para o que existe hoje e vêem sobretudo fricção pensada para desmotivar o utilizador comum.

Em tribunal, o advogado da Epic mostrou um exemplo quase caricatural: ao procurar na Play Store por “store for apps”, não aparece qualquer loja de apps alternativa. Surgem cadeias de retalho físicas, como a Walmart. O comentário de Donato foi seco: “Isso não é aceitável, tem de ser corrigido. Quero todas as variações possíveis, mesmo que só estejam 70 por cento bem escritas.” A defesa do Google acenou com a cabeça e prometeu ajustar o motor de pesquisa interno da Play Store. Para quem acompanha o assunto a partir de Portugal, isto bate certo com o padrão habitual: o Google cumpre a letra das decisões, tenta escapar ao espírito.

Outro detalhe sintomático: ao tentar instalar uma loja rival, o utilizador é confrontado primeiro com um botão “ver” e só depois com “instalar”. Um passo extra que não aparece noutras apps, como o Apple Music, e que Donato classificou como fricção anticompetitiva. A ordem foi direta, quase em modo product manager: trocar para “instalar” logo à cabeça. Aqui não estamos a falar de detalhes de usabilidade inocentes, estamos a falar de milímetros de interface desenhados para reduzir a taxa de conversão de lojas concorrentes.

A Epic mostrou ainda que, ao procurar “app store” ou até “Aptoide”, a primeira loja rival que entrou oficialmente na Play Store, o Google não apresenta a lista normal de apps. Em vez disso, empurra o utilizador para um banner especial que leva a uma página dedicada de “lojas de terceiros”. À superfície, parece uma secção curada. Na prática, retira visibilidade normal de pesquisa, algo que pode afastar gigantes como a Amazon de lançar uma loja própria, precisamente porque perdem o lugar no fluxo padrão da Play Store. Para quem viu a entrada da Aptoide na Google Play dos EUA como sinal de abertura, este tipo de truque mostra quanto custa cada centímetro de terreno.

Donato mandou o Google corrigir também esta abordagem, apontando a incoerência: se ao escrever “música” a Play Store não pergunta “procura música?”, porque é que ao escrever “app store” o utilizador cai num corredor especial? A questão é mais política do que semântica. A Google está a aprender à força o que a União Europeia já anda a escrever em regulamentos como o DMA: não basta permitir rivais, é preciso não os esconder por detrás de labirintos de botões e banners. No papel, as lojas alternativas ao Google Play vão ficando menos escondidas. Fora do papel, a luta continua pixel a pixel.

Fonte: The Verge

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