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Investigadores testam worm com IA que aprende enquanto ataca

Equipa de Toronto criou um protótipo de worm guiado por modelos de IA abertos, capaz de adaptar ataques a Linux, Windows e IoT. Não é ficção científica, é laboratório em 2026.

Investigadores testam worm com IA que aprende enquanto ataca

Um grupo da Universidade de Toronto pegou naquilo que muita gente ainda trata como alarmismo de conferência de cibersegurança e meteu num laboratório: um worm com inteligência artificial, alimentado por modelos públicos, capaz de se adaptar sozinho enquanto se espalha. Não é uma demo em PowerPoint. É um protótipo funcional num ambiente fechado, precisamente porque, cá fora, seria um desastre.

Tradicionalmente, um worm é escrito à mão para explorar vulnerabilidades específicas. O antivírus apanha o padrão, as equipas de TI instalam patches, assunto (mais ou menos) resolvido. O que estes investigadores fizeram foi outra coisa: usaram modelos de IA de código aberto para orquestrar um worm que não se limita a um bug ou a uma plataforma. No testbed deles, saltou entre Linux, Windows e dispositivos IoT, sem intervenção humana, ajustando o ataque à falha que encontrava em cada máquina.

O truque é que o worm não só explora vulnerabilidades conhecidas, como se comporta como um analista de segurança com ADHD e superpoderes: recolhe passwords, vasculha sistemas em busca de mais fragilidades e vai refinando a estratégia. Pior: usa o poder de computação das próprias máquinas infectadas para alimentar o raciocínio e o planeamento futuro. Como explicou o autor principal, Nicolas Papernot, até aqui os hackers escolhiam alvos de alto valor porque tempo e CPU eram limitados. Com um worm destes, depois de lançado, o custo operativo desce praticamente a zero.

Convém separar pânico de realidade. O protótipo canadiano só trabalha com falhas já conhecidas, não descobre vulnerabilidades novas. Mas entra aqui outro jogador: a Anthropic, com o seu modelo Mythos, já a ser usado para identificar riscos de cibersegurança inéditos. A própria empresa diz que o sistema ajudou parceiros como a Cloudflare a descobrir mais de 10.000 falhas, incluindo cerca de 400 classificadas como críticas. Junta um motor tipo Mythos à lógica do worm de Toronto e deixas de ter um ataque automatizado; passas a ter um pipeline contínuo de descoberta e exploração. É isto que assusta quem anda a olhar para o problema com seriedade.

Para quem gere redes em empresas portuguesas, da PME que vive em cima de um NAS mal configurado ao hospital preso por sistemas antigos, a mensagem é desagradavelmente clara: depender só de patching reativo e firewalls decorativas é brincar com a sorte. Se modelos abertos já permitem montar este tipo de worm em contexto académico, grupos organizados com orçamento e acesso a infraestruturas cloud podem ir muito mais longe e muito mais depressa. Papernot diz que divulgar o trabalho é o primeiro passo para mobilizar investigadores, indústria e reguladores. Traduzido: ou a defesa automatizada com IA acompanha o ataque, ou as próximas grandes quebras não vão ser apenas um site em baixo, vão ser cadeias de abastecimento, serviços públicos e infraestruturas inteiras a parar.

Fonte: Engadget

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