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Google cola o Nano Banana ao Google Earth. E para quê, afinal?

A Google enfiou mais geração de imagens por IA no Google Earth. Os casos de uso oficiais soam sérios, mas os testes mostram sobretudo brinquedo experimental.

Google cola o Nano Banana ao Google Earth. E para quê, afinal?

A Google decidiu que o Google Earth também precisava de IA generativa. O Nano Banana 2, o modelo de geração de imagens da casa, passou a viver dentro do globo virtual, pronto para inventar infográficos, reconstituir épocas históricas e redesenhar bairros inteiros com um clique. Ninguém andava a pedir isto, mas apareceu na mesma.

Na teoria, a lista de usos parece ambiciosa. A Google diz que podes pedir ao Nano Banana para gerar infográficos sobre um local, mostrar como era uma zona numa certa época, criar plantas para terrenos, visualizar obras antes de construídas ou dar um “makeover” gráfico a um edifício em particular. Soa a ferramenta quase profissional, a meio caminho entre urbanismo, imobiliário e ensino de História. Na prática, os primeiros testes independentes, como os da ZDNet, contam outra história: isto ainda está mais perto de brinquedo de demonstração do que de ferramenta séria.

Comecemos pela integração em si. O botão Create Image, que dispara o Nano Banana no Google Earth, nem sequer funciona em Street View. Resultado: é mais simples abrir o Street View, fazer uma captura de ecrã e colar a imagem no Gemini para gerar variações, do que usar o fluxo oficial dentro do Earth. Esta fricção básica é sintoma de um padrão conhecido na Google, que nos últimos meses anda a espetar IA em tudo o que mexe, de forma nem sempre pensada. À boleia da febre da IA generativa que já levou, por exemplo, a Nvidia a subir outra vez os preços das GPUs, a prioridade parece ser mostrar serviço, não acertar no produto.

Depois há a promessa de “trazer a História à vida”. A ZDNet pediu ao Nano Banana que recriasse a zona do Independence Hall, em Filadélfia, em diferentes períodos históricos. O resultado tinha o “ar” da época, mas não respeitava a configuração real dos edifícios em cada data. Ou seja, visualmente convincente, factual e historicamente duvidoso. Se isto for usado em contexto educativo ou jornalístico sem aviso, o risco de desinformação visual é óbvio. E numa altura em que reguladores europeus já olham para estes sistemas com lupa, como se viu quando a IA entrou na mira do Digital Services Act, este tipo de integração ligeira não ajuda.

O caso dos infográficos é outro exemplo. Em vez de reforçar a leitura de mapas, o Nano Banana altera o próprio layout do local nas imagens geradas e enche-as com texto típico de IA, distorcido e sem sentido. Mais decoração do que informação. Já no imobiliário, um sector que tem adoptado bem imagens geradas por IA para mostrar potenciais remodelações, a integração no Earth parece redundante: continua a ser mais eficiente trabalhar em ferramentas dedicadas, com controlo fino sobre plantas e materiais, do que depender de um modelo genérico enfiado num globo 3D.

No meio disto, o Nano Banana no Google Earth acaba com um papel estranho. Demasiado pouco rigor para investigação, demasiado atrito para trabalho profissional, e pouco mais útil do que abrir outra aba com o Gemini para quem quer só brincar com imagens. A sensação é de checklist: mais um produto interno a receber IA, para alimentar a narrativa, mesmo que a utilidade real ainda seja mínima. Quando a prioridade é encher o portefólio de features em vez de resolver problemas concretos, o resultado costuma ser este: um planeta inteiro ao alcance do rato, e uma ferramenta de IA que não sabe bem o que anda ali a fazer.

Fonte: Mashable

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