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Global Privacy Control: o sinal de privacidade que o browser devia respeitar

O Global Privacy Control promete um botão único para dizer aos sites que não queres partilhar dados para publicidade. Nem todos os browsers ajudam, e muitos sites fingem que não ouviram.

Global Privacy Control: o sinal de privacidade que o browser devia respeitar
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

A maior parte dos browsers continua alegremente a entregar detalhes técnicos sobre ti a qualquer site que pergunte, do sistema operativo ao modelo da GPU. Quando chega a altura de dizer que não queres que os teus dados sejam vendidos ou usados para publicidade dirigida, tudo se torna opaco: banners confusos, dezenas de cliques e formulários escondidos em rodapés intermináveis.

É aqui que entra o Global Privacy Control (GPC). Segundo o Lifehacker, é um protocolo de privacidade aberto criado por universidades, meios de comunicação e empresas focadas em privacidade. Em vez de andares à caça do link “Não vender dados” em cada site, ligas uma opção no browser e ele passa a enviar, em todas as visitas, um sinal legalmente reconhecido a dizer que queres recusar partilha de dados e publicidade comportamental.

Tecnicamente, o GPC junta um cabeçalho HTTP (Sec-GPC) a uma propriedade JavaScript (navigator.globalPrivacyControl). Sempre que abres uma página, o browser inclui esse sinal no pedido. Em regiões com leis fortes como o General Data Protection Regulation europeu (GDPR) e a CCPA da Califórnia, esse sinal tem peso legal, o que torna mais difícil às empresas ignorarem-no sem risco de multas. O projeto já conta com mais de 150 milhões de utilizadores e mais de 66 mil sites aderentes, com apoio de nomes como a Mozilla Foundation, a EFF, o New York Times ou o Washington Post. O W3C está mesmo a trabalhar o GPC como item oficial de especificação.

Na prática, a situação é menos limpa. Um estudo citado pelo Lifehacker, publicado na USENIX, analisou 11.708 sites e concluiu que cerca de 45% simplesmente não respeitam o sinal GPC, mesmo em contextos onde a lei os obriga a honrá-lo. Ou seja, o GPC não é escudo mágico. É mais uma camada, com uma vantagem importante: define por defeito aquilo que hoje te obrigam a repetir em cada pop-up. Se já andas a afinar opções de privacidade noutros lados, como nas definições do iOS ou em teclados como o Gboard, que detalhámos num guia de privacidade do Gboard, o GPC é o equivalente para a navegação web.

Os browsers não estão todos no mesmo barco. Plataformas centradas em privacidade como Brave, DuckDuckGo ou Mozilla Firefox já têm suporte nativo, em alguns casos até com o GPC ativado por defeito. Nos grandes nomes de mercado, como Chrome ou Edge, a história é outra: dependes de extensões de terceiros, como o Privacy Badger da EFF, para enviares o sinal de forma consistente. No Safari, o suporte continua limitado, o que é curioso em quem passa a vida a vender-se como campeão da privacidade. E mesmo quando um browser suporta o GPC, a opção costuma estar enfiada em menus pouco óbvios.

A ironia é simples: depois de anos a ouvir falar da morte dos cookies de terceiros e de promessas de privacidade “por desenho”, continua a ser mais fácil a um site recolher dados teus do que a ti recusar essa recolha. O GPC não resolve tudo, mas dá-te um único interruptor para alinhar o comportamento do browser com aquilo que a lei europeia já diz que devias ter por defeito. Se um site decide ignorar o sinal, o problema deixa de ser teu. Passa a ser tema para reguladores e para advogados, o que é precisamente onde este tipo de conflito devia estar.

Fonte: Lifehacker

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