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Getty Images entra no ChatGPT e as ações disparam 200 por cento

Após anos em guerra com geradores de imagens, a Getty fecha acordo com a OpenAI para mostrar fotografias licenciadas no ChatGPT. Wall Street aprovou na hora.

Getty Images entra no ChatGPT e as ações disparam 200 por cento

A empresa que se tornou símbolo da resistência legal contra a IA generativa acabou de mudar de lado. A Getty Images, gigante de bancos de imagens, assinou um acordo multi-anual com a OpenAI para colocar as suas fotografias diretamente dentro do ChatGPT. Resultado imediato: as ações dispararam cerca de 200 por cento nas negociações antes da abertura dos mercados.

O acordo é simples na superfície. Quando alguém pedir ao ChatGPT algo que peça uma imagem, a resposta visual pode ser uma fotografia licenciada da Getty, em vez de um render sintético criado por um modelo generativo. Nas palavras do CEO Craig Peters, conteúdo licenciado e de alta qualidade torna a pesquisa com IA “mais útil e mais confiável”. É o discurso clássico de quem quer vender segurança num mar de conteúdo duvidoso.

Mais interessante é o que o comunicado não diz. Não há valores. Não há referência a como se reparte a receita. E, crucial, não há uma única linha sobre uso das imagens para treinar futuros modelos da OpenAI. O texto fala apenas em display partnership, uma parceria de exibição. Mostrar imagens que já existem, não alimentá-las a modelos. Para quem passou anos a tentar travar precisamente o treino de modelos com o seu catálogo, o silêncio aqui não é um detalhe, é a cláusula fantasma do contrato.

Convém lembrar o contexto jurídico. A Getty processou a Stability AI, criadora do Stable Diffusion, no Reino Unido e nos EUA, alegando que cerca de 12 milhões de imagens tinham sido raspadas sem autorização para treinar o modelo. Em novembro de 2025, o High Court britânico deitou por terra a maior parte das queixas de violação de direitos de autor, reconhecendo apenas uma responsabilidade limitada em matéria de marca registada. A Getty pôde recorrer em parte, mas o sinal estava dado: os tribunais podem não ser o escudo que muitos detentores de conteúdos esperavam.

É neste cenário que o acordo com a OpenAI parece mais um hedge público do que uma conversão ideológica. Onde a Getty sente que foi lesada, continua a litigar. Onde pode ser paga, assina. Também encaixa na estratégia que a própria OpenAI tem montado, com acordos de licenciamento com grupos como News Corp, Financial Times ou Axel Springer, ao mesmo tempo que enfrenta processos movidos por outros detentores de direitos. A Getty torna-se assim o nome mais sonante a passar da coluna dos litigantes para a dos parceiros, e o primeiro grande dono de catálogo visual a fazê-lo nesta escala.

Para a OpenAI, a vantagem é óbvia. Fotografias com proveniência clara são úteis quando se está a encher o ChatGPT de publicidade e funcionalidades de comércio, tentando justificar uma valorização de 852 mil milhões de dólares que até investidores internos já questionam. Para a Getty, isto cheira mais a necessidade do que a visão: depois de anos de declínio no negócio clássico de stock, recusar cheques de IA começa a ser um luxo raro. Para fotógrafos e criativos em Portugal, a mensagem é menos confortante, mas transparente: se nem a editora que levava os casos a tribunal resiste ao dinheiro da IA, ninguém deve contar com uma resistência corporativa duradoura. Vai ser contrato a contrato, fotógrafo a fotógrafo, e com atenção redobrada às letras pequenas.

Fonte: The Next Web

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