320 horas com GPS e até 90 dias em modo smartwatch. A Garmin continua a tratar a autonomia como arma principal e o novo Enduro 4 é basicamente um manifesto contra o carregador de pulso. Segundo o Android Authority, a marca pegou na fórmula do Enduro 3, manteve os números de bateria e decidiu mexer em tudo o resto que interessa a quem passa mais tempo em trilhos do que em tomadas.
O Enduro 4 continua enorme, com caixa de 51 mm, ecrã MIP de 1,4 polegadas e lente Power Sapphire, ou seja, nada de AMOLED brilhante a comer bateria. A Garmin reafirma os mesmos valores do modelo anterior: até 320 horas de atividade com carregamento solar em condições específicas de luz e até 90 dias em modo smartwatch. Para quem anda dias numa ultra ou numa travessia de montanha, isto é a diferença entre usar o relógio a sério ou andar a poupar tudo com medo do ícone da bateria.
Em vez de gastar energia em ecrãs mais bonitos, a Garmin pôs o foco na inteligência à volta do treino e da navegação. Há novos modos de energia mais granulares, com um Max Accuracy pensado para treinos curtos e um Max Battery para atividades longas. Os objetivos de treino passam a ter em conta a inclinação com métricas ajustadas ao desnível, e surgem stamina zones e uma curva de stamina para mostrar, em tempo real e ao longo de semanas, como é que a resistência está a evoluir. Quem escreve no Android Authority sublinha que isto aproxima o Enduro 4 de um verdadeiro computador de endurance no pulso, não só um contador de horas até morrer.
Por baixo, há 50% mais RAM e um novo motor de mapas que promete 30% mais rapidez a fazer pan e uma interface mais fluida. Surge ainda um modo Perspective View para ver melhor o que vem mais à frente na rota. O armazenamento duplica para 64 GB, espaço que finalmente dá para mapas offline a sério e listas de música grandes. Nos perfis de treino, o relógio ganha novidades para remo indoor, com estimativas de VO2 max e curva de potência, e para rucking, onde se pode ajustar o peso da mochila em tempo real e definir objetivos como calorias gastas. Outra peça curiosa é o Garmin Epic, que permite agrupar atividades dispersas em garmin connect numa “grande aventura” com dados de saúde e desempenho agregados.
Fisicamente, continua a ser um Enduro sem grandes concessões ao estilo urbano: moldura em titânio, caixa em polímero reforçado com fibra, lanterna LED integrada, resistência à água até 10 ATM e uma nova bracelete ComfortFit em tecido que procura gerir melhor a humidade. O preço nos EUA fica nos mesmos $899,99, cerca de 830€, o que é tão agressivo quanto o posicionamento do relógio. Não há ainda data nem valor para a Europa, mas a Garmin tende a alinhar estes modelos outdoor no mesmo patamar de topo em euros. Para quem quer ir à ficha técnica oficial, a página do Garmin Enduro 4 já detalha todos os modos.
Em paralelo, a Garmin apresentou o Approach S72, um smartwatch focado em golfe que joga noutro campo: tamanhos de 43 e 47 mm, ecrã AMOLED, lentes em safira e também bracelete ComfortFit. As maiores novidades são métricas de swing diretamente no pulso, com velocidade das mãos, comprimento do backswing, rotação do pulso e dados biométricos associados à volta para perceber como o ritmo cardíaco influenciou o score. Com uma subscrição Garmin Golf ativa, entra em cena leitura de green em campos selecionados, análises de putt após a volta e imagens aéreas dos buracos para planear jogadas. É também o primeiro relógio de golfe da marca com altifalante e microfone para chamadas e comandos de voz, além de lanterna integrada. O modelo maior anuncia até 20 horas “no campo” com GPS ligado ou 16 dias em modo smartwatch. Preços nos EUA: $799,99, cerca de 740€, novamente sem calendário europeu.
Entre um relógio que tenta sobreviver a qualquer ultra e outro que trata o campo de golfe como laboratório de dados, a Garmin está a ocupar nichos que os generalistas do Wear OS nem tentam tocar. Para quem olha para o pulso como ferramenta específica, mais do que extensão do telemóvel, este tipo de relógio especializado continua a ser onde a marca joga em casa.
Fonte: Android Authority
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