Galaxy Z Fold8 e Fold8 Ultra: dobra bem, custa ainda melhor
A Samsung acertou finalmente nas proporções do Fold. Mas em Portugal estes dobráveis continuam a ser brinquedos caríssimos para um nicho muito específico.
A Samsung acertou finalmente nas proporções do Fold. Mas em Portugal estes dobráveis continuam a ser brinquedos caríssimos para um nicho muito específico.
Demorou sete anos, mas a Samsung lá percebeu que um dobrável tipo livro não tem de imitar o formato de um telemóvel clássico esticado. O Galaxy Z Fold8 encurta e alarga o corpo, e essa pequena mudança muda quase tudo: fechado parece um telemóvel “normal”, aberto sente-se mais tablet do que nunca. O Fold8 Ultra, esse, insiste no perfil alto e estreito das gerações anteriores, com um ecrã de cobertura que continua a parecer uma coluna do Excel em modo vertical.
Nos testes da Wired, o Fold8 e o Fold8 Ultra recebem ambos 8/10, mas a preferência do revisor é clara: a mão vai sempre para o modelo base. O motivo é simples. A dobradiça do Fold8 é mais fácil de abrir, o formato mais baixo torna o ecrã utilizável com uma mão, e a dobra no painel interior está menos visível. A Ultra responde com câmara melhor, mas compensa isso com ergonomia pior. Na prática, a aposta “premium” da Samsung sacrifica usabilidade em troca de mais sensores e zoom.
Falando de números, o Fold8 arranca nos EUA por cerca de $1.900, o que dá perto de ~1.750€. O Fold8 Ultra sobe aos $2.100, algo como ~1.950€. Em Portugal, historicamente, a Samsung gosta de arredondar para cima, com lançamento em operadores como MEO, NOS e Vodafone e nas prateleiras da Worten e FNAC. Não há preços europeus oficiais à data deste texto, mas é seguro contar com qualquer coisa na casa dos 2.000€ para ter um destes no bolso. Isto coloca-os não só acima da maior parte dos topos de gama planos da própria Samsung, como também bem além do que a maioria das pessoas vai aceitar pagar por um telemóvel.
Do lado positivo, não há grande dúvida sobre a ficha técnica. Processador topo de gama, desempenho de sobra, autonomia sólida e câmaras fortes, pelo menos no Ultra. A Wired sublinha ainda a sensação de solidez da construção e o facto de o Fold8 ser mais leve do que gerações anteriores, o que ajuda quando passas meia hora a ler ou a ver séries no painel interior. A curva da dobra continua lá, mas cada vez mais discreta. Depois de anos a funcionar como protótipo caro vendido em loja, a família Fold começa finalmente a comportar-se como produto acabado.
Mas a crítica central mantém-se: mesmo com o formato finalmente afinado, a proposta continua a ser de nicho. O Fold8 continua sem teleobjectiva dedicada, algo difícil de engolir num aparelho que custa mais do que muitos portáteis decentes. Ambos os modelos ficam instáveis quando pousados em superfícies planas, um detalhe irritante para um dispositivo que convida a ser usado meio-aberto para videochamadas ou como mini laptop. E, num mercado onde já encontras excelentes Android planos por 800€ a 1.000€, a diferença de preço tem de ser justificada todos os dias.
Para quem vive fixado em multitarefa, consome muitos PDFs, planilhas ou adora ver séries num ecrã maior sem carregar um tablet, o Fold8 é o primeiro dobrável da Samsung que parece realmente pronto para ser telemóvel principal. Para o resto das pessoas, continua a ser um objeto de curiosidade tecnológica com etiqueta de luxo. A boa notícia é outra: se a Samsung está finalmente a acertar na forma, a pressão para baixar o preço nos próximos anos deixou de ser questão de “se” e passou a ser questão de “quanto” e “quando”.
Fonte: Wired
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