Os Galaxy Buds 4 Pro e Buds 3 Pro deixam de ser apenas earbuds premium. Com nova aprovação regulatória, passam a poder ser usados como aparelhos auditivos de venda livre, uma categoria médica mais simples e barata do que os aparelhos tradicionais.
De acordo com o Android Police, o gatilho agora veio da Coreia do Sul, onde o Ministério da Segurança dos Alimentos e Medicamentos aprovou o conjunto de funcionalidades de ajuda auditiva destes modelos. Isto segue-se à autorização da FDA, a agência de medicamentos dos Estados Unidos, em agosto de 2026, que já tinha classificado a função como dispositivo médico na região.
Na prática, a Samsung dividiu a solução em dois blocos. Há um módulo de Hearing Test, registado como ferramenta médica baseada em software, e há os próprios Galaxy Buds que contam como hardware dos aparelhos auditivos de venda livre. A marca diz que a funcionalidade foi pensada para utilizadores com 18 ou mais anos com perda auditiva ligeira a moderada e que usa tecnologia de adaptação NAL-NL2, semelhante à de muitos aparelhos auditivos dedicados.
Quem tiver um destes modelos pode fazer um teste de audição em casa, através da app Galaxy Buds num telemóvel Samsung Galaxy. Segundo a Samsung, o teste usa audiometria em nível clínico, demora até 5 minutos por sessão e cobre os dois ouvidos. No fim, o resultado aparece como um audiograma, com a capacidade auditiva de cada ouvido e uma classificação que vai de audição normal a quatro níveis de perda: ligeira, moderada, severa ou profunda.
Os resultados não ficam presos à app dos earbuds. A Samsung integra o perfil auditivo na Samsung Health, o que permite consultar o histórico e acompanhar eventuais alterações ao longo do tempo. É uma abordagem que encaixa na tendência de usar wearables para monitorizar dados de saúde, mas aqui com uma diferença importante: não é apenas registo, há atuação direta sobre o som.
A partir desse perfil, entra o segundo módulo, o de ajuda auditiva. Os Galaxy Buds passam a amplificar o som de forma adaptada à perda de audição detetada, em vez de aplicarem só transparência genérica como nos modos ambiente que já existem em muitos earbuds. É uma linha ténue: por um lado democratiza o acesso a alguma forma de correção auditiva, por outro pode dar a ilusão de que substitui completamente um audiologista, coisa que esta categoria de aparelhos de venda livre não pretende nem consegue garantir.
Com a luz verde da autoridade coreana, a Samsung ganha margem para levar estas funcionalidades a mais mercados além dos EUA. Ainda assim, falta saber como vai gerir a parte sensível: avisos claros, limites de amplificação e fronteira entre conveniência e ato médico. Uma coisa é certa, transformar earbuds de consumo em ferramenta de saúde é mais do que um truque de marketing, mexe na forma como olhamos para o que trazemos nos ouvidos todos os dias.
Fonte: Android Police
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