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Framework Laptop 13 Pro: bateria finalmente boa

O portátil modular da Framework ganha autonomia e acabamento mais sólido, mas entra em território de preço onde os compromissos começam a pesar demasiado.

Framework Laptop 13 Pro: bateria finalmente boa

A Framework conseguiu aquilo que muitos lhe pediam desde o primeiro modelo: o novo Framework Laptop 13 Pro finalmente tem uma bateria decente. O problema é que, para chegar lá, trocou uma limitação séria por outra. Agora o drama já não é quanto tempo dura longe da tomada, é quanto dinheiro sai da conta.

Já tínhamos falado do posicionamento esquisito deste modelo em termos de RAM e preço no anúncio oficial, no nosso artigo sobre o Framework Laptop 13 Pro. O ensaio da Ars Technica só confirma a sensação: nenhum modelo desce abaixo dos $1.500, o que dá qualquer coisa como ~1.380€, e a configuração de teste roçava os $3.000, perto de 2.750€. Ou seja, território de MacBook Pro 14 ou de ultrabooks premium bem equipados, mas num portátil que continua a ser compacto, focado em modularidade e sem GPU dedicada.

Do lado bom, há finalmente mudanças de fundo no chassis. Este 13 Pro é o mais perto que a Framework teve de uma segunda geração real. O corpo passa a ser “totalmente maquinado” a partir de blocos de alumínio 6063, o que se traduz num portátil mais sólido, menos sensação de protótipo. A nova cor “Graphite” troca o prata industrial por um cinzento-escuro ao estilo Midnight da Apple, sem o tom azulado. Continua a ser um íman de dedadas, mas pelo menos já parece um produto de 2026 e não de 2015.

A grande novidade funcional está na base redesenhada, que permite encaixar uma bateria de 74 Wh, contra os 61 Wh das versões anteriores e os 55 Wh das primeiras gerações. Na prática, isto resolve o maior calcanhar de Aquiles do Framework 13 original, que era a autonomia medíocre. Em paralelo, a marca aproveitou para modernizar o mecanismo dos módulos de expansão: os velhos botões que tinhas de manter pressionados deram lugar a interruptores de retenção tipo on/off, iguais aos usados no Laptop 16 e 12. Menos luta com a unha, mais sensação de sistema pensado.

Nem tudo é compatível com o passado. Ao abrir esta porta para uma revisão mais profunda, a Framework fecha outras: a nova base, o teclado, o trackpad e as baterias antigas deixaram de ser intercambiáveis com os modelos anteriores. Continua a haver compatibilidade com os cartões de expansão, o que é crítico para quem já investiu em módulos USB-C, HDMI, armazenamento e afins. Mas se tinhas a fantasia de ir comprando peças e arrastar o teu primeiro Framework 13 década fora, isto é um lembrete de que até as marcas mais pró-reparação acabam por partir algumas promessas em nome do progresso.

Há também um novo trackpad háptico, ao estilo dos MacBook Air e Pro recentes, sem mecanismo físico de clique. A sensação é positiva e aproxima o Framework de um padrão que, honestamente, já devia ser obrigatório neste segmento. O teclado, por outro lado, mantém-se praticamente igual, o que não é mau sinal. O conjunto é o portátil mais polido que a Framework produziu até agora. Mas com este nível de preço, começa a competir diretamente com máquinas que não obrigam o utilizador a escolher entre ideologia de reparabilidade e especificações puras.

No contexto português e europeu, onde a marca já vende mas continua de nicho, o 13 Pro arrisca cair na categoria “para entusiastas militantes”. Quem quer modularidade, direito à reparação e uma máquina que foge aos clones de MacBook Air encontra aqui o melhor Framework até hoje. Quem olha primeiro ao rácio desempenho/preço vai ver os 1.500€+ e seguir para um Lenovo, Dell, HP ou para o impulso óbvio que é um MacBook. A Framework deu o passo certo na bateria, mas escolheu o pior momento possível para esticar tanto a fatura.

Fonte: Ars Technica

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