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Forrester aponta a IA ao desenvolvimento de software e serviços TI

Novo relatório da Forrester prevê forte pressão sobre desenvolvimento de software, consultoria e BPO com a expansão da IA generativa. As grandes plataformas sobrevivem, o trabalho humano é que afina contas.

Forrester aponta a IA ao desenvolvimento de software e serviços TI

O dinheiro da IA está a entrar pela porta grande, mas não é neutro. Segundo novo relatório da Forrester, algumas das áreas mais clássicas da indústria tecnológica, como desenvolvimento de software e serviços de implementação, vão apanhar a maior pancada. Numa altura em que consultoras, integradores e fábricas de código ainda vendem horas como se fosse 2015, os analistas estão a dizer o óbvio em voz alta: trabalho intensivo de conhecimento é precisamente o alvo preferido da automação.

A Forrester olhou para actividades de utilizadores finais e de fornecedores de tecnologia e concluiu que três blocos estão relativamente confortáveis: infra-estrutura, dados e IA, e segurança de identidade, acesso e rede. Tudo o resto entra na categoria “adapta-te ou encolhe”. Aplicações de negócio, governação e compliance, automação de processos e experiência do cliente vão mudar de forma profunda, mas não desaparecem. Ficam protegidas por workflows já enfiados até ao osso das empresas, requisitos regulatórios e custos de mudança elevados. Em linguagem menos polida: é demasiado caro e arriscado atirar tudo fora de uma vez.

O ponto mais sensível para quem escreve código é outro. A Forrester destaca desenvolvimento de aplicações e software como área particularmente exposta a genAI-code, o guarda-chuva onde cabem copilots, geradores de código e afins. Ferramentas de geração de aplicações e plataformas low-code, suites de testes autónomos, sistemas de gestão de conteúdos, plataformas de experiência digital, soluções de gestão de conhecimento e suites de arquitectura empresarial são, em teoria, os primeiros na fila para serem parcialmente substituídos por ferramentas suportadas em modelos de linguagem. Se o teu produto é, basicamente, transformar specs em CRUD e APIs, vais ter de justificar melhor a factura.

Os serviços de TI também não saem ilesos. O relatório fala em substituição directa por IA em trabalho de implementação, com projectos em torno de Oracle, Salesforce, SAP e Workday a enfrentarem “ventos contrários”. Mais crítico ainda, o outsourcing de processos de negócio, o velho BPO, vê serviços de baixo valor, testes e desenvolvimento vendidos a tarifas mais baixas. Na prática, a mesma tese que já destrinchámos em como a IA pode matar profissões sem despedir ninguém hoje: a linha de topo continua a subir, o custo por tarefa cai, a pressão sobre salários e fornecedores intermédios aumenta.

Em paralelo, a Gartner sobe a fasquia das previsões de mercado: o total de TI para 2026 passa para 6,37 biliões de dólares, mais 14,2 por cento ano sobre ano, puxado sobretudo por investimentos da própria indústria tecnológica, que já gasta à volta de 1 bilião e deverá subir quase 35 por cento. Muito betão, muitas GPUs e contratos de cloud a vingarem, menos margem para as equipas de desenvolvimento venderem exactamente o mesmo tipo de trabalho de sempre. O bolo cresce, mas a fatia reservada a trabalho humano repetitivo está a encolher.

Para Portugal, isto bate em vários sítios: nas consultoras que vivem de projectos SAP e Salesforce, nas software houses que fazem outsourcing para fora e nas equipas internas que funcionam como linha de montagem de features. O relatório da Forrester não é sentença final, mas serve de aviso sério. Quem continuar a medir valor em horas facturadas em vez de resultado entregue com IA no loop arrisca tornar-se commodity mais depressa do que o ciclo de facturação permite acomodar.

Fonte: The Register

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