LINUX

Fedora 45 beta troca a velha consola Linux por kmscon moderno

A nova beta da distro da Red Hat estreia kmscon como consola em modo texto, afina GNOME 51 e endurece a gestão de pacotes. Não muda o desktop, muda o chão onde assenta.

Fedora 45 beta troca a velha consola Linux por kmscon moderno

O Fedora Linux 45 beta chegou com três bandeiras principais: kernel 7.2, GNOME 51 em versão candidata e uma troca silenciosa mas importante na base do sistema. A velha consola em modo texto do kernel Linux sai de cena, entra kmscon, um emulador de terminal em espaço de utilizador com mais de uma década de história às costas.

O detalhe é técnico, mas a consequência é bem visível para quem vive muito na TTY. Em vez do texto pixelado e rígido da consola clássica, o Fedora passa a usar kmscon, que fala diretamente com o DRM (Direct Rendering Manager) e KMS (Kernel Mode Setting) do kernel. Resultado: melhor escalamento em ecrãs HiDPI, mais cores do que as tradicionais 16 e suporte Unicode decente para quem trabalha com alfabetos que não cabem num teclado US. Há ainda multiseat, isto é, vários utilizadores em simultâneo na mesma máquina com teclados e monitores separados, algo que não faz manchetes em 2026, mas continua útil em alguns laboratórios e escolas.

Kmscon não é novidade absoluta, foi anunciado em 2012 e depois ficou meio em suspensão quando o autor original mudou de foco. O que permite agora este salto é a teimosia de uma fork mantida por Peifeng Yu ao longo de uma década, até a equipa original retomar o código no ano passado. É o típico caso de software livre: um projecto que parecia abandonado acaba por ganhar relevância quando uma distribuição grande o assume como predefinição. Para quem acompanha há anos o mundo Linux, este tipo de mudança estrutural tem mais impacto do que mais um tema colorido no GNOME.

Falando em GNOME, o Fedora 45 traz a versão 51 em estado release candidate. Não há aqui um redesenho tipo GNOME 40, mas sim uma colecção de ajustes: melhor navegação por teclado, melhorias no leitor de ecrã Orca, rotação automática em equipamentos com sensor de orientação, e afinações em Settings, Files, Calculadora e no ecrã de login. É a escola do polimento incremental, parecida com o que a Mozilla anda a tentar com o seu novo visual Nova no Firefox 157 beta: menos fogos de artifício, mais consistência para quem vive ali todos os dias.

O instalador via browser também amadurece. A beta passa a oferecer fluxos específicos para as Atomic Desktops, as variantes imutáveis do Fedora, e já fala com o Stratis, o sistema de gestão de armazenamento da Red Hat, para partições. É mais um empurrão na direcção dos sistemas de ficheiros geridos como imagens, com updates tipo “snapshot” e menos margem para o clássico “instalei um RPM qualquer e parti o sistema”. Não é coincidência que, ao mesmo tempo, o gestor de pacotes RPM passe a impor assinatura obrigatória e o DNF5 recuse trocar de fornecedor de pacotes no meio de uma actualização, uma fonte comum de surpresas desagradáveis.

Na periferia, mas não menos relevante para quem trabalha com infra-estruturas, as imagens Atomic passam a ser geradas com image-builder e o Fedora CoreOS ganha compressão de memória com zram. Em conjunto, isto pinta uma federação de edições mais focada em ser base sólida para workloads sérios, não apenas a distro simpática para experimentar GNOME novo. A novidade está pouco no que vês no ecrã e muito no que evita que esse ecrã fique preto. Numa altura em que até o GEM do Atari ST reaparece em cima de Linux, a parte conservadora do sistema operativo merece atenção: são estas mudanças discretas, como substituir a consola do kernel por kmscon, que decidem se Linux continua a ser brinquedo de entusiasta ou plataforma fiável para a próxima década.

Fonte: The Register

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