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FCC quer tirar do ar drones DJI com LiDAR já aprovados

A autoridade das comunicações dos EUA pondera banir drones com LiDAR, câmaras térmicas e outros extras “militares”. Até modelos de consumo da DJI podem sair legalmente das prateleiras.

FCC quer tirar do ar drones DJI com LiDAR já aprovados

A Federal Communications Commission (FCC), regulador das comunicações nos EUA, está a preparar um movimento raro: banir do mercado drones que ela própria já tinha aprovado. Na mira estão modelos com funções vistas como “militares”, como LiDAR, imagem térmica, capacidade de pulverização e operações em enxame. A estrela involuntária deste filme é a DJI, líder global do sector, cuja linha de consumo começa a ser tratada como potencial risco de segurança nacional.

O mais recente aviso público da FCC propõe alargar a lista de equipamentos proibidos, a chamada Covered List, a categorias de drones que o governo norte-americano classifica como tendo capacidade militar ou risco particular para a segurança. No pacote entram drones que integrem “artigos de defesa”, usem bases de docagem autónomas ou funcionem em modo de enxame. Na prática, isto atira para a incerteza vários modelos já conhecidos, em especial da DJI, que combinam sensores avançados com automatismos de voo cada vez menos dependentes do piloto.

Esta cruzada não começou agora. Em dezembro de 2025, a FCC passou a incluir drones estrangeiros e componentes críticos na Covered List, mas a mudança, na altura, só atingia modelos futuros. Os já aprovados continuavam a ser vendidos. Em julho, o cerco apertou: a FCC estendeu a proibição a empresas suspeitas de revenderem hardware DJI mascarado com outras marcas. Agora, o passo seguinte é retroativo. Modelos como o DJI Air 3S, o Avata 360 ou o Mini 5 Pro, todos com LiDAR, podem ser legalmente retirados do mercado norte‑americano, apesar de ainda há pouco tempo terem passado pelo crivo do regulador.

A FCC insiste num ponto: quem já comprou não perde o drone. O que fica bloqueado é a venda de novas unidades. Isto soa reconfortante no papel, mas tem efeitos colaterais óbvios. Sem novos volumes de vendas, os fabricantes têm menos incentivo para manter linhas de peças, serviços de reparação e desenvolvimento de firmware. É assim que se mata um produto sem o confiscar. Os consumidores ficam com hardware caro que, em teoria, ainda voa, mas que pode começar a falhar em peças de substituição e em atualizações cruciais, por exemplo em zonas de exclusão aérea ou compatibilidade com novas regras.

Do lado da DJI, a reacção foi dura. Num texto no blogue oficial ViewPoints, a empresa fala de “reversão total” da posição da FCC e acusa o regulador de usar o rótulo de “características de nível militar” de forma vaga para atingir drones essencialmente civis. A marca está a mobilizar utilizadores nos EUA para responderem à consulta pública aberta até 2 de setembro. A ironia é que, tal como aconteceu noutras guerras tecnológicas entre Washington e fabricantes chineses, a motivação de segurança pode facilmente misturar-se com protecionismo e pressão política, num mercado em que os concorrentes locais ainda não conseguem igualar o pacote preço/sensores/software da DJI.

Para quem pilota drones em Portugal ou noutro país europeu, isto não é só drama americano de longe. Reguladores falam entre si, partilham listas e argumentos. Se a combinação “fabricante chinês + sensores avançados” ficar colada à ideia de risco de segurança nacional nos EUA, é uma questão de tempo até esta narrativa pousar em Bruxelas. Convém acompanhar de perto: um dia acordamos e descobrimos que o drone que usamos para cartografar campos agrícolas, inspecionar painéis solares ou filmar um casamento é, no papel, demasiado “militar” para continuar a ser vendido.

Fonte: Engadget

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