Falha crítica no Microsoft Entra ID já foi explorada em ataques
Bug em Entra ID permitia execução remota de código por atacantes sem privilégios. Microsoft diz que já mitigou tudo, mas volta a falhar na transparência.
Bug em Entra ID permitia execução remota de código por atacantes sem privilégios. Microsoft diz que já mitigou tudo, mas volta a falhar na transparência.
A Microsoft corrigiu uma vulnerabilidade classificada com severidade máxima no Microsoft Entra ID, o serviço de gestão de identidades que sustenta logins de Microsoft 365, Azure e Dynamics. A falha não é teórica, já foi explorada em ataques reais.
O problema está registado como CVE-2026-69836 e foi descoberto por Robert Fitzpatrick, principal engenheiro de segurança da própria Microsoft. Em termos técnicos, trata-se de uma desserialização de dados não confiáveis: um cenário clássico em que um serviço recebe dados de rede, assume que são “bons” e acaba a executar código controlado pelo atacante. Pior: segundo a descrição oficial, bastava um atacante sem qualquer privilégio para disparar o ataque, com baixa complexidade. Para um serviço que gere identidades na cloud global da Microsoft, é tão mau quanto parece.
A empresa garante que o exploit ainda não circula publicamente e que a vulnerabilidade foi “totalmente mitigada”, sem necessidade de ação por parte dos clientes. Em bom português: isto foi corrigido do lado da Microsoft, nos bastidores, sem patch para instalar. A própria nota oficial diz que o CVE serve apenas para “dar transparência”. O problema é que essa transparência pára aí. Não há detalhes sobre o vector concreto, não há números sobre quantos tenants foram afetados, não há qualquer descrição útil para equipas de segurança perceberem o risco real ou ajustar deteções internas. A mesma lógica opaca que já vimos noutras correções silenciosas em serviços cloud.
Em paralelo, a Microsoft tratou mais quatro vulnerabilidades de severidade máxima: três elevações de privilégio sem autenticação em Azure Arc e Exchange Online, e uma execução remota de código em instâncias geridas de Apache Cassandra no Azure. O padrão repete-se, tal como já tínhamos visto noutras falhas críticas em serviços empresariais, da Cisco ao macOS, onde a exploração começou antes de haver contexto completo para os administradores. Cloud “gerida” continua a significar que o fornecedor controla tanto o patch como a narrativa.
Não é a primeira vez que o Entra ID entra nas notícias pelos piores motivos. Em setembro de 2025, o CVE-2025-55241 permitia escalar privilégios e tomar conta do tenant Entra ID de qualquer empresa do planeta, segundo o investigador Dirk-jan Mollema. A sucessão de falhas graves em serviços de identidade expõe um problema estrutural: concentramos cada vez mais chaves da casa em poucas plataformas, mas continuamos dependentes de comunicados mínimos e timelines pouco claras sempre que algo corre mal.
Para quem administra infraestruturas em Portugal, a mensagem prática é simples: confiar que o fornecedor “já mitigou” não chega. Vale a pena rever logs de autenticação e chamadas às APIs de Entra ID deste período, reforçar monitorização sobre atividades anómalas e assumir que falhas críticas podem ser exploradas em silêncio durante algum tempo. A Microsoft gosta de falar de confiança zero, mas enquanto continuar a tratar detalhes técnicos como segredo comercial, o zero está mais do lado da transparência do que da confiança.
Fonte: BleepingComputer
Comentários · 0