Dell XPS 13 de 2026 quer ser o anti‑MacBook Neo barato
A Dell ressuscita o XPS 13 como portátil fino de 700$ para atacar o MacBook Neo. O hardware convence, mas os 8GB de RAM e a ausência de jack continuam a estragar a festa.
A Dell ressuscita o XPS 13 como portátil fino de 700$ para atacar o MacBook Neo. O hardware convence, mas os 8GB de RAM e a ausência de jack continuam a estragar a festa.
A Dell andou um ano a brincar com a ideia de matar a linha XPS. Agora volta atrás e põe o novo XPS 13 de 2026 a apontar directamente ao MacBook Neo, com um preço-base nos EUA de 700$ (cerca de 640€) e aspeto de topo. Depois do fiasco caro da geração anterior, isto é um recuo sensato: menos luxo de marketing, mais foco no que interessa num portátil fino e leve.
O novo XPS 13 tem aquilo que costuma falhar nos Windows baratos: estrutura sólida, ecrã bom, teclado decente, trackpad fiável e colunas que não soam a rádio de cozinha. É um chassis ultrafino onde quase nada abana e, em termos de qualidade física, aproxima-se perigosamente da sensação de abrir um MacBook. O SSD é rápido, o conjunto parece bem pensado e, por uma vez, não dá aquela sensação de “low-cost mascarado”. A Dell percebeu que se quer competir com o Neo não pode poupar logo no que os dedos tocam.
Depois há a parte menos glamorosa: os 8GB de RAM na configuração base. O processador Intel Wildcat Lake aguenta bem o sistema, e a máquina até se comporta de forma aceitável com essa memória, o que em 2026 já é quase notícia. Mas não vale dourar a pílula, 8GB para Windows 11 continuam a ser curto prazo. Funciona agora, começa a engasgar mais cedo. A própria Dell oferece versão de 16GB por 1.000$ (cerca de 920€), e é essa que faz sentido para quem não quer estar a rezar daqui a dois anos sempre que abre mais umas abas no browser.
Há outro corte que revela bem as prioridades da indústria: nenhuma configuração traz ficha de headphones. Zero. Em 2026 um portátil de trabalho que obriga a adaptador ou bluetooth para ligares uns auscultadores com cabo é, no mínimo, preguiça. A Dell segue a mesma lógica que já vimos em muitos telemóveis e até em portáteis mais caros da concorrência, um raciocínio de simplificação a qualquer custo que já conhecemos de perto em discussões como a do MagSafe versus USB-C nos MacBook. A diferença é que aqui não há qualquer alternativa elegante, só um dongle a mais para perder na mochila.
Em desempenho, o XPS 13 posiciona-se como máquina diária, não como estação de trabalho. Navegação, produtividade, streaming, algum trabalho criativo leve, tudo ok. Mas aquece mais do que apetece num portátil pensado para o colo, consequência óbvia de meter hardware competente num corpo tão fino sem margem generosa para dissipação. É o preço da obsessão pelo milímetro, um vício que tanto a Dell como a Apple continuam a alimentar.
Para quem vive em Portugal, o grande ponto de interrogação é sempre o mesmo: quanto vai custar cá e com que configurações mínimas. Se a Dell trouxer o XPS 13 com 16GB de RAM a rondar os 1.000€ e mantiver este nível de construção, finalmente há um concorrente sério ao MacBook Neo para quem prefere Windows. Se insistir em empurrar a versão de 8GB para o retalho europeu como opção “suficiente”, volta tudo à estaca zero: bom hardware estrangulado por poupanças que se pagam em frustração a médio prazo.
Fonte: The Verge
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