LINUX

Debian faz 33 anos, Haiku 25, e ambos continuam a mexer

Uma distro que alimenta meio mundo de servidores, um clone de BeOS que recusa morrer. Dois aniversários que mostram como o velho Unix ainda inventa formas novas de existir.

Debian faz 33 anos, Haiku 25, e ambos continuam a mexer

Agosto é mês morto para lançamentos de hardware, mas é quando nasceram dois projectos que ainda seguram boa parte da internet e uma certa nostalgia de desktop: Debian e Haiku. O primeiro fez 33 anos, o segundo 25. Nenhum está em modo museu.

O Debian soprou 33 velas no fim‑de‑semana. Quando Ian Murdock o anunciou em 1993, o kernel Linux tinha menos de dois anos e a palavra “distribuição” nem estava bem cristalizada. Hoje, Debian é a base silenciosa de uma parte obscena da infra‑estrutura mundial: de servidores em universidades e empresas públicas a VPS baratas, passando por derivados como Ubuntu, Raspbian e companhia. Se tens um servidor barato numa cloud qualquer, há boa probabilidade de ser Debian ou um filho directo.

Curiosamente, nem é a distro Linux mais antiga ainda viva, esse título continua a ser do Slackware, cerca de um mês mais velho. Mas ao contrário do Slackware, que anda com lançamentos espaçados, Debian manteve o seu ritmo quase suíço de versões estáveis. Depois do Debian 12 em 2023 e do Debian 13 “Trixie” um ano depois, a linha de desenvolvimento continua a limpar suporte a arquitecturas velhas e a apostar em RISC‑V, numa fase em que até portáteis como o Framework andam a abraçar Linux como opção séria. Debian continua a ser a escolha conservadora, o “chato” fiável que os admins preferem à cor bonita da distro da moda.

Do outro lado está o Haiku, que faz 25 anos sem nunca ter chegado ao mítico 1.0. É fácil gozar: um quarto de século de trabalho e ainda em beta. Mas o Haiku não é “só mais uma distro”, é um sistema operativo inteiro feito do zero para recriar o espírito do BeOS, o OS dos anos 90 que prometia um desktop leve, altamente responsivo e multimédia, antes de ser engolido pela Palm. O projecto começou como OpenBeOS dias depois dessa compra, e desde então tem sido um trabalho paciente de obsessivos, com compatibilidade binária com BeOS em x86 de 32 bits e uma camada Unix cada vez mais sólida.

Hoje, Haiku já não vive apenas de correr software antigo. Ganhou um catálogo razoável de aplicações próprias, um gestor de pacotes decente e um ambiente que, apesar de parecer vintage, é mais coerente do que muitas interfaces modernas que vivem presas a compositoras Wayland ou a gestos de rato mal pensados. O relatório de actividade mais recente do seu principal developer pago, conhecido como “Waddlesplash”, fala numa beta 6 com calendário definido, branch ainda em agosto e testes públicos a caminho. Para um projecto deste tamanho, com poucos recursos, isto não é pouca coisa.

Para quem vive no desktop Linux há anos, com distros maduras e kernels que já dão cartas em servidores, telemóveis, microcontroladores e até automóveis, olhar para Debian e Haiku lado a lado é um lembrete útil. Um mostra como um projecto comunitário pode tornar‑se infra‑estrutura global sem um único dono. O outro lembra que ainda há espaço, mesmo em 2026, para tentar um sistema operativo diferente em vez de apenas mais uma camada por cima de Linux. Entre a segurança confortável do Debian e o risco quase artístico do Haiku, o Unix continua menos previsível do que a sua idade sugere.

Fonte: The Register

Newsletter

Os artigos que importam, duas vezes por semana.

Terça e sexta, cinco minutos de leitura. Sem spam, cancelas quando quiseres.

Comentários · 0