CIêNCIA

Como manter a casa fresca no verão sem arrebentar a fatura da luz

Filmes refletivos nas janelas, ventoinhas bem usadas e pequenos ajustes no isolamento fazem mais diferença do que ligar o ar condicionado no máximo. E custam bem menos ao fim do mês.

Como manter a casa fresca no verão sem arrebentar a fatura da luz

Quando o termómetro dispara lá fora, muitos apartamentos portugueses transformam-se em fornos. Muito vidro sem sombra, telhados escuros, isolamento fraco e eletrodomésticos a bombar calor para dentro. Não é só desconforto, é saúde em causa, como já se viu nas ondas de calor recentes. A boa notícia: há várias formas de baixar a temperatura interior sem duplicar a fatura da eletricidade.

O primeiro inimigo é o sol a bater no vidro. Se tens janelas viradas a sul ou poente, elas são radiadores em modo inverso. Filmes refletivos autocolantes podem cortar até 80% da entrada de calor nesses vidros e custam pouco em DIY. A seguir vem a disciplina: estores e cortinas fechados antes de o sol bater, sobretudo de manhã, e só abrir quando a temperatura exterior estiver alguns graus abaixo da interior, normalmente já de noite. Sol no vidro é calor dentro de casa, não há ar condicionado que compense isso de forma barata.

Ventoinhas são subestimadas. Uma ventoinha de teto bem dimensionada pode fazer a divisão parecer 3 a 7 graus mais fresca graças ao chamado efeito de arrefecimento por vento. No verão, as pás devem rodar no sentido que empurra o ar para baixo, o que permite subir o termóstato 2 ou 3 graus sem perder conforto. Box fans e ventoinhas de coluna ganham outra vida se pensares em fluxos: colocar ventoinhas a puxar ar mais fresco de janelas sombreadas ou de zonas comuns frescas e outras a expulsar ar quente por janelas altas cria uma espécie de chaminé térmica a custo quase zero.

Depois há as fugas invisíveis. O ar fresco pago a preço de ouro sai por frinchas em portas e janelas, caixas de estores, tomadas mal vedadas e passagens de canalizações. Fita de vedação em portas e janelas e um pouco de silicone ou acrílico em caixilhos e atravessamentos fazem diferença real. Em casas com sótão ou cobertura acessível, reforçar o isolamento térmico lá em cima é provavelmente o melhor investimento custo/benefício que podes fazer para o verão e para o inverno. Menos calor a entrar pelo teto significa menos horas com ar condicionado ou menos sofrimento com ventoinhas.

Se tens ar condicionado, o truque já não é “mais frio” mas “mais inteligente”. Termóstatos programáveis ou soluções inteligentes permitem subir a temperatura 2 a 4 graus quando não está ninguém em casa, fazer pré-arrefecimento antes das horas de maior preço de energia e focar o frio nas divisões usadas, fechando portas e grelhas nas restantes. Limpar filtros todos os meses em pico de verão e os permutadores exteriores pelo menos uma vez por ano evita que o sistema trabalhe 15 a 20% mais para o mesmo efeito, que é dinheiro a sair ao fim do mês.

Quem vive em prédios antigos, com paredes pouco isoladas e janelas velhas, não vai transformar a casa num bunker climático num fim-de-semana de bricolage. Mas somar sombra nas janelas, ventoinhas bem colocadas, vedações decentes e algum controlo inteligente do ar condicionado já chega para transformar um forno numa casa suportável durante as próximas ondas de calor. O conforto climático em casa vai ser cada vez menos luxo e cada vez mais infraestrutura básica, sobretudo num país onde o verão já não é o que era.

Fonte: Sensibo

Newsletter

Os artigos que importam, duas vezes por semana.

Terça e sexta, cinco minutos de leitura. Sem spam, cancelas quando quiseres.

Comentários · 0