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Casio F-B100W dá Bluetooth ao clássico relógio digital barato

O novo Casio F-B100W conta passos e fala com o telemóvel, mas continua a trocar pilhas e a durar dois anos. Um anti-smartwatch num mundo obcecado com sensores.

Casio F-B100W dá Bluetooth ao clássico relógio digital barato

Num mercado em que quase todo o relógio quer ser mini-smartphone de pulso, a Casio decidiu dar um passo lateral: o novo F-B100W custa cerca de 65€ no Reino Unido, soma Bluetooth e contagem de passos, mas recusa o rótulo de smartwatch. Não há ecrã tátil, não há loja de apps, não há enxurrada de notificações, só um relógio digital clássico que fala baixinho com o telemóvel.

O truque está na simplicidade. O F-B100W emparelha com a app da Casio no smartphone para registar atividade, ajustar definições e manter a hora sempre certa, tirando partido da hora de rede. A alimentação continua a vir de uma pilha de botão CR2016 substituível, com a marca a prometer cerca de dois anos de autonomia. Nada de carregadores magnéticos, nada de mais um cabo na mesa de cabeceira. Uma pilha nova por um ou dois euros e segue para mais um par de anos.

Para quem vive rodeado de Apple Watch e Galaxy Watch, a proposta parece quase anacrónica. Mas há um público considerável que olha para um relógio e quer sobretudo… ver as horas. O velho Casio F-91W, a lenda de plástico de cerca de 25€, continua a vender-se precisamente por isso: simples, barato, praticamente indestrutível e com pilhas que duram vários anos. O F-B100W tenta repetir a fórmula com um leve upgrade: conta-passos e sincronização, sem se meter no jogo pesado de saúde avançada onde um wearable como o Pixel Watch com métricas de resistência à insulina ou um Galaxy Watch a medir antioxidantes andam a competir.

Não é a primeira vez que a Casio testa esta fronteira entre relógio digital e gadget “semi-inteligente”. O ABL-100 já fazia algo semelhante, mas é maior, pesa mais do dobro e custa mais de 25 por cento acima. A novidade real está em encolher o truque e mantê-lo acessível, sem matar a bateria. Dois anos de autonomia com Bluetooth e contagem de passos, em cima de uma pilha substituível, é uma bofetada discreta à geração de relógios que mal aguenta um dia e já pede tomada.

Há aqui também um subtexto europeu. Enquanto Bruxelas decide regras para baterias substituíveis e depois abre excepções generosas para wearables, a Casio mostra que dá para ter conectividade e ainda assim deixar o utilizador trocar a pilha em casa com uma moeda e cinco minutos. Não é heroísmo ecológico, é bom senso industrial japonês aplicado ao pulso. E torna difícil engolir o argumento de que um relógio “tem” de ser selado e colado para ser moderno.

O F-B100W não vai substituir um smartwatch completo para quem quer ECG, pagamentos no pulso ou mapas no ecrã. Mas também não tenta. Aponta a quem quer regressar ao básico sem abdicar totalmente do século XXI. Se a maior inteligência do relógio for não te obrigar a carregá-lo todas as noites, a Casio pode ter acertado no ponto que muitos gigantes ignoram: às vezes, menos sensores e mais anos de vida valem mais do que mais um gráfico na aplicação de saúde.

Fonte: The Register

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