CIêNCIA

Carros eletrificados dominam vendas na Europa e marcas chinesas sobem

Um em cada cinco carros novos na UE já é 100% elétrico. As marcas chinesas dobram quota em doze meses e começam a morder a clientes europeus tradicionais.

Carros eletrificados dominam vendas na Europa e marcas chinesas sobem

O motor que está a puxar o mercado europeu já não é o depósito de gasolina. São as baterias. Nos primeiros meses de 2026, um em cada cinco carros novos registados na União Europeia foi totalmente elétrico, e as marcas chinesas duplicaram a sua presença num ano.

Dados divulgados a 23 de julho pela ACEA, a associação dos construtores europeus, mostram um mercado a crescer cerca de 4% em matrículas, para perto de 4,7 milhões de carros. O problema para os grandes grupos europeus é que esse crescimento vem quase todo de motorizações eletrificadas: elétricos a bateria, híbridos plug-in e híbridos convencionais. Gasolina e gasóleo caíram mais de 16% e já valem menos de 30% das vendas. Quem continua a apostar pesado em motores térmicos está, basicamente, a remar contra a maré regulatória e contra o bolso de quem olha para o custo por quilómetro.

Os carros 100% elétricos já representam cerca de 20% das vendas na UE, contra 15% há um ano, com matrículas a subir 35,7%. Se se olhar para 17 mercados europeus seguidos pela New AutoMotive, a fotografia é ainda mais clara: mais de 1,24 milhões de elétricos e plug-in registados no primeiro semestre, um salto de 33,7% face a 2025. Junho sozinho contou cerca de 275.000 elétricos puros, mais 39,5%, elevando a quota mensal de elétricos a 25,6%.

O mapa continua profundamente desigual. A Noruega circula praticamente em modo beta de futuro com 96,5% de quota elétrica em junho. A Dinamarca vai nos 79,1%. A Alemanha lidera em volume bruto, o que já tínhamos visto quando os carros elétricos ultrapassaram gasolina e gasóleo no país. E depois há a outra Europa, com a Polónia ainda perto dos 5%. Portugal, enfiado no meio, continua a depender de incentivos erráticos e de uma rede de carregamento que não acompanha o discurso político.

Híbridos “simples” são agora a maior fatia individual, perto de 38% das matrículas na UE, com um crescimento de 12%. Híbridos plug-in agarram quase 10% e sobem perto de 25%, ajudados por novos modelos tanto chineses como europeus. Somando tudo, mais de metade dos carros novos no bloco já tem bateria em algum grau. Em poucos anos passou-se de um mercado dominado pela gasolina para um em que motores eletrificados são a escolha padrão, mesmo para quem nem quer saber de zero emissões, só de fiscalidade e custos de utilização.

Mas o ângulo mais delicado, sobretudo visto de Wolfsburgo ou Estugarda, é o emblema na grelha. As marcas chinesas chegaram a 10,9% de quota no mercado europeu em junho, com 150.272 carros registados num único mês, um salto de 118% face ao ano anterior. Nos primeiros cinco meses, os cinco maiores grupos chineses já matricularam mais de 619.000 carros na UE, Reino Unido e EFTA. Grande parte desse ganho vem à custa dos construtores “históricos” que trataram o segmento elétrico como nicho caro durante demasiado tempo. Agora são eles o nicho caro.

O avanço chinês também está a mudar de forma. Não é só elétrico puro. Com tarifas europeias até 45% sobre elétricos importados da China, muitos fabricantes chineses estão a empurrar híbridos plug-in e até híbridos convencionais, onde esses direitos não se aplicam. Resultado: carros com ficha, preços agressivos e tecnologia atual, a contornar as barreiras alfandegárias pela porta grande. Bruxelas pode subir tarifas, mas se os grupos europeus continuarem lentos na oferta abaixo dos 30.000€ e a viver de margens gordas em SUV premium, quem vai escolher são os condutores, não os comissários.

Fonte: The Next Web

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