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Campanha Stop Killing Games entra em guerra legal com a PlayStation

Movimento de preservação de jogos junta-se a ação coletiva nos Países Baixos contra o alegado monopólio da PlayStation Store. Em jogo está o futuro dos jogos digitais na Europa.

Campanha Stop Killing Games entra em guerra legal com a PlayStation

A Stop Killing Games, movimento de base que anda a gritar contra o fecho de servidores e jogos comprados que desaparecem, decidiu atacar pela via mais óbvia: tribunais. Juntou-se a uma ação coletiva nos Países Baixos contra a Sony, acusando a PlayStation de manter um monopólio na venda de jogos digitais nas suas consolas.

A ação é liderada pela Stichting Massaschade & Consument, uma organização de defesa do consumidor neerlandesa que diz representar 1,7 milhões de utilizadores de PlayStation no país. A campanha chama-se Fair PlayStation e não nasceu ontem: estava em preparação desde 2025, bem antes de a Sony anunciar o fim dos discos físicos de PlayStation a partir de janeiro de 2028. Só que essa decisão deu-lhe um novo peso político. Quando o único formato que sobra é o digital, a pergunta sobre quem controla a loja deixa de ser teoria de fórum e passa a mexer com a carteira de toda a gente.

O argumento central é simples e difícil de varrer para debaixo do tapete: em cada consola PlayStation, a única loja digital possível é a da própria Sony. Não há alternativa tipo Steam, GOG ou Epic como no PC, nem espaço real para chaves digitais vendidas por terceiros de forma oficial. Se a Sony controla a única porta de entrada dos jogos digitais, controla também os preços, as promoções e o acesso dos estúdios. A isto junta-se um dado desconfortável para a narrativa corporativa: estudos feitos também nos Países Baixos mostram que os jogos em loja física são, quase sempre, mais baratos do que na PlayStation Store. O desaparecimento dos discos corta essa válvula de escape e tira os retalhistas da equação.

No vídeo “It’s time to sue Sony, join us”, a Stop Killing Games e o canal DoesItPlay? dizem estar a colocar “todo o peso” por trás do caso da SM&C. O ponto prático é jurídico: a organização neerlandesa precisa de provar em tribunal que representa jogadores reais e não apenas uma sigla num papel. Ter um movimento global de preservação de jogos a apoiá-la ajuda a reforçar essa legitimidade. Cada jogador neerlandês que se junta formalmente à ação reforça ainda mais a pressão sobre o tribunal, e a mensagem indireta para Bruxelas é óbvia: o fecho de lojas e o bloqueio de concorrência não são só um drama de nicho.

Ao contrário do PC, onde a fragmentação de lojas ao menos cria alguma concorrência, o modelo de consola continua fechado por desenho. Sony não está sozinha nisto, Nintendo e Microsoft seguem lógica parecida, mas a combinação entre fim dos discos e ausências de alternativas digitais coloca a PlayStation na linha da frente desta discussão. É difícil não ver paralelos com outras estratégias agressivas no sector, como quando a Nintendo aproveitou tarifas sobre importações para aumentar margens em vez de aliviar preços ao jogador, um caso que analisámos quando olhámos para a forma como a Nintendo engorda lucros com tarifas dos EUA em vez de o devolver a quem compra jogos em retalhistas tradicionais.

Para já, o processo está circunscrito aos Países Baixos, mas o alvo é um problema muito europeu: lojas fechadas, DRM agressivo e uma Comissão Europeia que começa a olhar para consolas com os mesmos óculos com que olha para a Apple ou para a Meta. Se um tribunal neerlandês comprar a tese de monopólio e dano ao consumidor, a Sony não vai ter de mexer apenas em tabelas de preços. Vai ter de explicar porque é que um jogo comprado hoje pode desaparecer amanhã sem alternativa, e porque é que a consola na tua sala só reconhece uma loja. Essa parte da conversa é que a indústria prefere manter fora do ecrã.

Fonte: Eurogamer

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