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Arábia Saudita pode fundir EA e Savvy e baralhar o xadrez do gaming

O fundo soberano saudita pondera juntar Electronic Arts e Savvy Games num único grupo. Em Bruxelas, isto pode passar como mera arrumação interna, não como mega-fusão a dissecar.

Arábia Saudita pode fundir EA e Savvy e baralhar o xadrez do gaming

A Electronic Arts já não é exatamente “americana”. Desde 5 de agosto que a EA é, na prática, uma participada do fundo soberano saudita PIF, após um negócio de 55 mil milhões de dólares, cerca de 50 mil milhões de euros. Agora, segundo a Bloomberg, o PIF pondera juntar a EA à Savvy Games, o veículo que anda às compras no gaming global. Madden NFL ao lado de Pokémon Go no mesmo grupo, não é pouca coisa.

O detalhe interessante para quem está na Europa não é só quem manda nos jogos, é quem manda nas regras. O negócio original da compra da EA já foi aprovado em Bruxelas, tanto em concorrência como nas novas regras de subsídios estrangeiros, a 31 de julho. Se o dono é o mesmo, uma fusão entre EA e Savvy pode ser tratada como reorganização interna, não como uma nova concentração. Traduzido: pode nem precisar de nova notificação à Comissão Europeia.

O contraste com a saga Microsoft/Activision Blizzard é óbvio, mas enganador. No caso da Microsoft, estava em causa uma mudança clara de controlo e integração vertical de um gigante do hardware e serviços com um gigante de conteúdos. Aqui, o PIF já controla cerca de 93% da EA e é dono a 100% da Savvy. O direito europeu olha para quem tem controlo, não para quantos comunicados de imprensa são emitidos. Se for só mudar peças dentro do mesmo tabuleiro, Bruxelas tende a encolher os ombros.

Há, no entanto, uma pedra no sapato: os minoritários. Silver Lake e Affinity Partners detêm a fatia que falta na EA. Se esses acionistas tiverem direitos de veto sobre orçamento, estratégia ou gestão que se aproximem de “controlo conjunto”, a fusão já não é apenas arrumação interna. Passa a ser mudança de controlo, e aí a Comissão tem de voltar a olhar. É a margem entre um carimbo administrativo e meses de escrutínio político sobre a influência saudita em mais um sector estratégico.

Do lado do negócio, a lógica é menos jurídica e mais crua. A Savvy recebeu 38 mil milhões de dólares do PIF, com que comprou a Scopely por 4,9 mil milhões e o negócio de jogos da Niantic por cerca de 3,5 mil milhões. Está a montar um império mobile num sector que vale perto de 214 mil milhões. A EA, pelo contrário, enterrou 2,1 mil milhões na Glu Mobile em 2021 e acabou a cancelar os títulos mobile que comprou. Continuou forte em consola e PC, mas a curva de crescimento está no telemóvel, como se vê em tudo, da China às otimizadas de DLSS no Android.

Há ainda o contexto financeiro. O PIF anda a apertar o cinto em apostas de risco e a exigir retornos mais claros. Os bancos sauditas também não conseguem alimentar sozinhos a factura de data centers e IA do reino, quanto mais uma maratona de aquisições em gaming. Sob esta luz, juntar EA e Savvy não é só ambição geopolítica no entretenimento, é engenharia financeira: menos estruturas, mais escala, melhor história para contar a credores internacionais. Se esta concentração silenciosa de poder sobre alguns dos maiores catálogos de jogos do planeta preocupa reguladores europeus, a resposta vai depender menos de slogans sobre “soft power” saudita e mais de uma linha seca no direito da concorrência: quem controla realmente a empresa depois da fusão.

Fonte: The Next Web

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