A Apple vai lançar um M6… mas só a meio-gás. Segundo a Bloomberg, a marca vai estrear um M6 base em alguns Macs de entrada ainda este ano, mas abdica por completo das versões M6 Pro, Max e Ultra. A potência a sério fica adiada para uma nova família M7, pensada de raiz para IA, que só chega aos Macs mais caros a partir de 2027.
É a primeira vez desde 2020 que uma geração de chips Apple Silicon aparece sem a escada completa de variantes. Do M1 ao M5, o guião foi sempre o mesmo: base, depois Pro e Max, muitas vezes um Ultra no topo. Esta coerência dava previsibilidade a quem compra um MacBook Pro ou um Mac Studio. Agora, quem quiser o melhor silício da Apple entra numa espécie de limbo: compra já um Mac com M5 ou espera até 2027, e até 2028 no caso de um futuro M7 Ultra.
Oficialmente, a narrativa é simpática: a Apple quer acelerar tecnologias de IA que só estavam previstas para mais tarde e colocá-las nos M7. Faz sentido, num mercado em que a sigla da moda são os NPUs e em que todos prometem “IA no dispositivo”. A Apple não quer repetir a hesitação que teve no arranque da corrida à IA generativa. Mas ignorar o contexto industrial seria ingénuo. A escassez global de chips e de memória, que está a mexer com toda a cadeia, já levou empresas como a Samsung e a OpenAI a avançar para investimentos e parcerias próprias na área de hardware de IA, como se viu no plano colosal da Samsung ou na aliança da OpenAI com a Broadcom.
No meio desta pressão, a Apple aumentou recentemente os preços de toda a gama Mac e iPad no mesmo dia em que este novo mapa de chips apareceu em público. O argumento “estamos a acelerar a IA” também serve de capa perfeita para um roadmap apertado por falta de capacidade de fabrico e custos a subir. Não é que a transição para os M7 centrados em IA não seja real, mas é difícil acreditar que seja apenas uma questão de visão tecnológica e não também de gestão de escassez.
Curiosamente, o M6 base não é propriamente um remendo. Internamente chamado Komodo, foi pensado para liderar no segmento de entrada: memória mais rápida, nova arquitectura, neural engine reforçado e até 12 núcleos gráficos, mais dois que no M5. A largura de banda de memória deverá rondar os 200 GB/s, face aos cerca de 153 GB/s do M5, um ganho relevante para IA e gráficos. Já o futuro M7 base apontará para perto de 240 GB/s, reforçando a ideia de que a Apple está a dimensionar estes chips para modelos de IA cada vez mais pesados a correr localmente.
Para quem está em Portugal a olhar para um Mac novo, isto traduz-se em escolhas menos simpáticas. As máquinas com M5 vão continuar a ser “o topo” durante mais tempo, enquanto os verdadeiros saltos em IA e desempenho gráfico ficam empurrados para 2027. Haverá ainda um M5 Ultra num novo Mac Studio, que deve aparecer antes do fim do ano, como solução tampão. No fundo, a Apple está a esticar a geração atual para ganhar tempo para a próxima. A diferença é que, desta vez, o marketing da IA não esconde só specs, esconde também o vazio de uma geração Pro e Max que nunca vai existir.
Fonte: The Next Web
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