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Apple prepara câmara de casa inteligente que não grava vídeo

Os rumores apontam para uma câmara que usa IA para vigiar a casa sem guardar imagens. Menos prova para a polícia, mais conforto para quem desconfia de nuvens demasiado curiosas.

Apple prepara câmara de casa inteligente que não grava vídeo
Ilustração digital | Pixel Magazine

Uma câmara de segurança que não grava vídeo parece um contrassenso. Mas é precisamente isso que a Apple estará a preparar para a sua próxima leva de gadgets de casa inteligente, segundo avança o Engadget com base em informação de Mark Gurman, da Bloomberg. A ideia é simples na teoria e arriscada na prática: usar IA para analisar o que se passa em casa, sem armazenar imagens de ninguém.

O contexto é a nova ofensiva da Apple na casa inteligente, depois de pôr a Siri em forma com as últimas grandes atualizações de sistema. Nas peças anteriores de Gurman, citadas pelo Engadget, já tinha surgido a referência a um hub doméstico com ecrã, apontado internamente como J490, que serviria de centro para este universo comandado por voz. A câmara agora descrita surge como companheira desse ecrã, ao lado de versões mais potentes do HomePod mini e da Apple TV, todas integradas no mesmo ecossistema da nova Siri com IA.

As câmaras em si serão pequenas, cilíndricas, quase como um baton do bolso, e com taxa de fotogramas muito baixa. O detalhe curioso: não terão gravação de vídeo como funcionalidade. Em vez disso, o sensor capta informação suficiente para a IA perceber movimento, reconhecer rostos e gerar descrições de texto. A Apple parece estar a tentar responder ao desconforto crescente com sistemas de vigilância tradicionais, que acumulam ficheiros de vídeo sobre tudo e todos, muitas vezes mal protegidos.

Na prática, se alguém entrar numa divisão, a câmara tenta identificar se é uma pessoa conhecida ou não e manda-te um alerta em texto. Nada de clip de vídeo para rever depois. É aqui que o compromisso fica claro: para privacidade é uma melhoria óbvia face a câmaras que despejam tudo para a cloud, mas em termos de segurança clássica a conta não bate tão certo. Sem vídeo, cooperar com a polícia em caso de assalto ou vandalismo resume-se a confiar na descrição gerada pela IA, que é tudo menos prova robusta.

Gurman refere ainda, segundo o Engadget, que esta câmara usará tecnologia muito parecida com a dos AirPods com câmara que também têm surgido em fugas de código de versões iniciais do macOS. Esses futuros auscultadores terão minúsculas câmaras de baixa resolução, pensadas para capturar imagens RGB que são depois analisadas por algoritmos de Visual Intelligence, sem permitir fotografar ou filmar como um gadget convencional. Depois da polémica em torno dos óculos da Meta, é evidente que a Apple está a tentar marcar distância, pelo menos no papel.

Se isto chegar ao mercado como descrito, a Apple fica com uma linha curiosa: vende vigilância doméstica com menos vigilância visível. Em mercados como o europeu, onde a sensibilidade à privacidade é elevada, uma câmara que promete não guardar vídeo pode ser mais fácil de aceitar do que um sistema clássico de gravação contínua. Mas também abre uma frente nova: confiar que a empresa não muda as regras com uma atualização qualquer é quase um ato de fé. E a história mostra que poucas coisas duram tanto como uma promessa de privacidade feita numa keynote.

Fonte: Engadget

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