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Nvidia volta a subir GPUs até 30% por causa da febre da IA generativa

É a terceira subida do ano e desta vez não é só topo de gama. A IA come tudo, do datacenter ao PC gaming lá de casa.

Nvidia volta a subir GPUs até 30% por causa da febre da IA generativa

A Nvidia voltou a carregar no acelerador dos preços. Segundo o jornal taiwanês Economic Daily, a marca aumentou outra vez o valor das suas GPUs em 20 a 30 por cento, alimentada pela corrida à IA generativa. É a terceira subida em 2026. E, ao contrário da de maio, agora não fica limitada às placas de topo.

Da última vez, o aumento focou-se nas futuras RTX 5090 e companhia, o tipo de hardware que enche slides em keynotes mas que poucos chegam a comprar. Desta vez o salto atinge o “stock alargado” de GPUs Nvidia. Ou seja, o impacto deve notar-se também em gamas onde muita gente ainda faz contas antes de se atirar para uma compra acima dos 500€ ou 800€.

O contexto é conhecido: a febre de IA generativa continua a puxar centros de dados e empresas para qualquer GPU disponível, e a Nvidia está no centro desse tornado. Quando se fala de IA, fala-se de Nvidia, e não é por acaso que a marca anda a espalhar investimentos, como no milhar de milhões atirado para a Coreia do Sul via Naver e SK ou na aliança Open Secure AI ao lado da Microsoft e da SpaceX. O problema é simples: quando há filas de empresas a pagar o que for preciso, o incentivo para manter as placas “para mortais” a preços decentes encolhe.

Há ainda um efeito em cadeia: a Samsung prepara um aumento de cerca de 20 por cento na DRAM, e esse custo extra vai bater em tudo o que use memória, dos portáteis aos PCs montados por retalhistas. O Economic Daily descreve retalhistas chineses a mexerem já nas tabelas e plataformas de e-commerce a recuarem em promoções, à espera de mais subidas. Quem segue gráficos de preços de GPUs nos últimos 18 meses reconhece o padrão: picos, pequenos alívios, novo pico, nunca regressa ao “normal”.

Para Portugal e resto da Europa, isto significa que montar ou atualizar um PC gaming decente continua a afastar-se de qualquer noção de hobby acessível. Mesmo que os preços oficiais europeus não sejam anunciados de imediato, os distribuidores adaptam-se rápido. E o que já era mau para quem ponderava trocar uma RTX 3060 por algo com folga para ray tracing e IA no lado do consumidor, fica pior. Não é só PC: as consolas também estão a provar o sabor da inflação de chips, com subidas recentes nas Xbox Series e PlayStation 5 como sintoma do mesmo problema de base.

Chamar a isto “crise de custo de vida” nos videojogos não é exagero. Para muita gente, o limiar para entrar no PC gaming moderno está a empurrar para cima de 1.500€ com facilidade, somando GPU, CPU, memória, armazenamento e um ecrã decente. O boom da IA generativa enche relatórios de resultados e discursos de CEO, mas do lado de cá da carteira o efeito é bem mais prosaico: PCs mais caros, ciclos de upgrade mais longos e mais gente a ficar presa a hardware velho. A indústria decidiu que a prioridade é treinar modelos, não render mais FPS ao teu PC.

Fonte: Eurogamer

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