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AMD bate recordes mas a verdadeira aposta é abrir a caixa da IA

Resultados históricos nos data centers dão fôlego à AMD. O teste sério é se o ROCm aberto consegue furar o bloqueio de CUDA e abanar o domínio da Nvidia.

AMD bate recordes mas a verdadeira aposta é abrir a caixa da IA

Onze vírgula cinco mil milhões de dólares em receitas no segundo trimestre, mais 50% que há um ano. Destes, 6,7 mil milhões vieram de data centers, mais do dobro de 2025 e já 58% do negócio. A AMD teve o melhor trimestre de sempre, sim. Mas o número que interessa mesmo não está na folha de Excel, está na camada de software.

O contraste é simples. Em hardware, a AMD começa finalmente a ter lugar na mesa dos grandes aceleradores de IA. Em software, continua a jogar fora de casa. A Nvidia não ganhou este campeonato só com silício agressivo, ganhou-o com CUDA, a camada de programação que toda uma geração de engenheiros aprendeu primeiro e nunca mais largou. É essa trincheira que transforma cada GPU vendida num cliente preso a longo prazo, como explicámos quando olhámos para a estratégia de cercar o centro de dados.

A resposta da AMD chama-se ROCm, uma stack de software open-source que se vende como antídoto ao jardim murado da Nvidia. A tese é pragmática: se a infraestrutura de IA assentar em ferramentas abertas, o avanço inicial de CUDA encolhe e um cliente pode trocar de fornecedor sem reescrever o mundo. Para os hyperscalers e para os grupos de investigação europeus, habituados a regulamentos e a alergias a lock-in, isto não é romantismo open-source, é controlo de custos e de risco.

O problema é a inércia. Uma década de tutoriais, bibliotecas e cursos assume CUDA como língua franca. Há um exército de engenheiros confortáveis nesse lado e a migração dói. Igualar esse lastro exige anos de trabalho pouco glamoroso: compatibilidade, drivers estáveis, documentação decente, tooling que não pareça beta eterno. É por isso que a AMD fala de um caminho de passos pequenos, não de um salto súbito que “apanha” a Nvidia. Quando a Huawei avisa que a vantagem da Nvidia bate em limites físicos, o subtexto é este: sem presos ao software, o hardware volta a ser comparável.

Há sinais de que a conversa está a pegar. Investigadores começaram a pôr modelos sérios a correr em GPUs AMD, como o modelo de observação da Terra à escala planetária saído de Cambridge, montado sobre hardware AMD em vez de Nvidia. Estes “case studies” valem mais do que mil slides em keynotes, dão cobertura política a CTOs que querem negociar preços e a universidades europeias pressionadas a evitar dependência excessiva de um único fornecedor norte-americano.

A orientação da AMD para o próximo trimestre é clara: cerca de 13 mil milhões de dólares em receitas, um salto sequencial de 13% que só acontece quando as encomendas de data center atropelam a capacidade de produção. Entre os MI400 e os sistemas Helios de rack inteira, a empresa tenta responder à ofensiva completa da Nvidia. A questão não é se há espaço para dois fabricantes de chips, é se o lado aberto da pilha consegue tornar essa escolha real em vez de teórica. Só quando mudar a forma como o código é escrito é que estes recordes trimestrais deixam de parecer apenas a AMD a chegar atrasada à festa da IA.

Fonte: The Next Web

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