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Amazon sobe até 60% os preços de Echo, Kindle e Fire TV

A Amazon culpa a memória mais cara, mas quem paga a conta são os gadgets baratos que serviam de porta de entrada para o seu ecossistema.

Amazon sobe até 60% os preços de Echo, Kindle e Fire TV

A Amazon aumentou de um dia para o outro os preços de vários Echo, Kindles, Fire TV e routers Eero até 60%, citando “subidas significativas nos custos de memória e armazenamento”. A justificação é técnica, o efeito é bem concreto: os produtos de entrada que puxavam milhões de pessoas para a casa inteligente da Amazon ficaram muito menos acessíveis.

Nos EUA, o Echo Dot, a coluna inteligente mais básica da marca, passou de 49,99$ para 79,99$ (de cerca de 46€ para ~74€), um salto de 60%. O Fire TV Stick 4K Max disparou de 59,99$ para 84,99$ (~55€ para ~78€), e o Kindle de 16 GB subiu de 109,99$ para 149,99$ (~101€ para ~138€), quase mais 37%. O Echo Dot Max, o modelo mais potente da linha, também não escapou, subiu de 99,99$ para 119,99$ (~92€ para ~110€). Mesmo num mercado habituado a promoções constantes, estes aumentos não são trocos perdidos no carrinho.

Em comunicado ao The Verge, a Amazon diz que “absorveu estes aumentos tanto quanto possível” antes de mexer nos preços, e insiste que a missão continua a ser oferecer “bons produtos a preços acessíveis”. O problema é que um Echo Dot a roçar os 80$ já joga numa liga bem diferente. Em Portugal, onde os dispositivos de casa inteligente já chegam inflacionados face aos preços de referência americanos, qualquer subida lá fora costuma chegar cá amplificada, mesmo quando o produto nem é vendido diretamente pela Amazon local.

Há ainda um detalhe curioso: as linhas mais baratas sofreram com força, mas alguns produtos mais caros ficaram intocados. As câmaras e videoporteiros Ring, bem como a coluna premium Echo Studio, mantêm o preço de referência. Isto sugere menos uma resposta “neutra” ao custo da memória e mais uma decisão estratégica, onde se aperta onde a procura é maior e onde o preço baixo funciona como isco para prender pessoas ao assistente Alexa e aos serviços da empresa. A Amazon só está a reajustar o valor do isco.

Este movimento também não acontece no vazio. A Apple já tinha aumentado o preço do HomePod mini este verão, também a apontar o dedo à memória mais cara, enquanto a Google mantém, por agora, o seu altifalante doméstico nos 99,99$. Numa altura em que a Apple prepara novo assalto à sala de estar com um ecossistema centrado no HomePod e na Apple TV, ver a Amazon subir tanto a fasquia de entrada dá espaço aos rivais para se posicionarem como a opção “sensata”, mesmo sem serem propriamente baratos.

Para já, estes aumentos foram detetados no mercado americano, sem anúncio formal de preços para a Europa. Mas a história deste sector é simples: quando memória e armazenamento sobem, a fatura vai correndo cadeia abaixo até chegar ao consumidor final. Quem andava a adiar a compra de um leitor de ebooks barato ou de um stick de streaming para dar uma segunda vida a uma televisão antiga pode ter acabado de descobrir que “esperar por promoção” já não é a estratégia que era.

Fonte: The Verge

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