Regra 3-2-1: o mínimo decente para fazeres cópias de segurança
Três cópias, dois tipos de suporte, um deles fora de casa. A regra 3-2-1 continua a ser a base para não perderes anos de fotos e documentos num único azar.
Três cópias, dois tipos de suporte, um deles fora de casa. A regra 3-2-1 continua a ser a base para não perderes anos de fotos e documentos num único azar.
Quem já perdeu um disco com anos de fotos e documentos sabe que não é um problema técnico, é um murro no estômago. Segundo o Engadget, a maneira mais simples de evitar esse drama continua a ser a velha regra 3-2-1. Não é magia, é disciplina: organizar onde guardas os ficheiros de forma a assumir que um dos suportes vai inevitavelmente falhar.
A regra 3-2-1, popularizada em 2009 pelo fotógrafo Peter Krogh, diz isto: deves ter três cópias dos teus dados, em dois tipos de suporte diferentes, e uma cópia fora de casa. Em prática, pode ser o portátil, um disco externo e um serviço de backup na cloud, por exemplo. A ideia é aceitar que um SSD ou disco externo pode morrer sem aviso, e que até dois suportes distintos podem ir à vida se houver incêndio, inundação ou roubo. A cópia fora de casa é o plano B do plano B.
O detalhe dos “dois tipos de media” hoje costuma ser interpretado como dois dispositivos distintos. Para a maior parte das pessoas, faz mais sentido ter um disco externo e uma cópia remota do que andar a gravar DVDs como em 2005. A evolução do hardware também matou parte da angústia com formatos obsoletos, mas não resolveu o essencial: se tens tudo no mesmo local físico, um desastre local chega para apagar a tua vida digital.
Quando entras na cloud, a conversa complica. Serviços como iCloud ou Google Drive são cómodos, mas é fácil esqueceres-te de um pormenor: muitas vezes o que tens é sincronização, não backup. Se apagas um ficheiro no portátil, o serviço apaga-o em todo o lado. Para cumprir a lógica 3-2-1, o ideal é uma solução de backup automático que guarde versões históricas e não apenas um espelho do que está na pasta. Também importa o básico: usar encriptação forte e palavra-passe decente, porque uma cópia offsite acessível a qualquer intruso é só outro tipo de risco.
Há outro ponto que o Engadget sublinha: na era do ransomware, até a cópia fora de casa pode estar em perigo se for um dispositivo sempre ligado à mesma rede. Um NAS em casa dos pais com acesso permanente pela internet pode ser cifrado no mesmo ataque que estraga o teu PC. A versão mais sensata da regra 3-2-1 hoje passa por ter pelo menos uma cópia desligada ou isolada da rede na maior parte do tempo, por exemplo um disco que só ligas durante o backup semanal.
Montar tudo isto dá trabalho, mas é o tipo de chatice que resolves uma vez e depois esqueces. Ter uma rotina de backup alinhada com a regra 3-2-1 vale mais do que qualquer truque para recuperar ficheiros perdidos ou formatados, como se vê quando se tenta salvar dados de um SSD já em mau estado. Num tempo em que até a galeria do telemóvel começa a oferecer ligações diretas a serviços como o Google Fotos para facilitar cópias, continuar sem estratégia de backup é menos falta de conhecimento e mais pura negligência.
Fonte: Engadget
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