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DeepSeek V4.1 Flash promete IA gigante com fome de GPU bem menor

O novo modelo da DeepSeek enche-se de parâmetros mas emagrece na RAM. Pode ser o sinal de que a corrida à IA entra finalmente na fase da eficiência.

DeepSeek V4.1 Flash promete IA gigante com fome de GPU bem menor

Enquanto metade da indústria despeja milhares de milhões em megacentros de dados para alimentar modelos cada vez maiores, a chinesa DeepSeek apareceu com uma heresia saudável: um LLM com 763 mil milhões de parâmetros que, ainda assim, precisa de muito menos memória para servir pedidos. O modelo chama-se DeepSeek V4.1 Flash e tenta responder a uma pergunta que raramente é feita nas apresentações de GPUs: até onde é que conseguimos ir só com arquitectura mais esperta.

O V4.1 é mais do dobro do V4 Flash em número de parâmetros e supera mesmo os modelos V3 e R1 que tornaram a DeepSeek conhecida em 2025. Normalmente isto seria sinónimo de mais GPUs, mais consumo, mais conta de luz. Aqui não. A equipa mexeu fundo em dois pontos: a forma como o modelo usa as caches de chave-valor, que guardam o contexto entre tokens e sessões, e a própria arquitectura de atenção, onde introduziu um causal encoder-decoder (CED) novo.

O resultado, segundo o relatório técnico partilhado no Hugging Face, é que as caches KV passam a consumir só entre 13 e 25 por cento da memória que o V4 Flash precisava. Em termos práticos, isto significa servir entre quatro e oito vezes mais utilizadores com a mesma pegada de memória. Numa altura em que Google anda a construir data centers glaciais na Finlândia para aguentar a sede de IA, ter um modelo gigante que não exige um exército de GPUs por instância não é um detalhe técnico, é uma mudança de ordem económica.

O truque mais curioso, porém, está na forma como o modelo separa “memória” de “cálculo”. Dos 763 mil milhões de parâmetros, 196 mil milhões são dedicados a N-grams, um módulo de memória condicional. Em vez de depender só dos pesos clássicos do transformer, o modelo ganha um repositório de sequências recorrentes de tokens que consegue ativar quando o contexto o pede. A ideia faz lembrar a Per-Layer Embedding (PLE) da equipa Gemma da Google, que também tenta pôr modelos úteis a correr em dispositivos com pouca RAM e largura de banda.

Na prática, os N-grams são blocos de tokens que funcionam como associações de palavras e frases. Perguntas sobre perímetros de triângulos rectângulos, leis de Newton ou expressões idiomáticas são tratadas com recurso a padrões já interiorizados em vez de recalcular tudo de raiz. Isto reduz a computação necessária por resposta e, segundo a DeepSeek, permite escalar a inteligência do modelo sem escalar na mesma proporção o custo por utilizador. É exactamente o tipo de truque que os grandes fornecedores de IA precisam se quiserem deixar de resolver tudo à força bruta de GPU.

Para quem olha a partir de Portugal, onde a conta de electricidade dos centros de dados não é abstracção mas linha orçamental, este tipo de abordagem é mais interessante do que mais um benchmark de tops na tabela. A indústria anda obcecada com chips e fábricas, da TSMC a testar máscaras gigantes para wafers ainda maiores até à Nvidia que compra a Hugging Face para controlar o lado do software. Modelos como o DeepSeek V4.1 Flash lembram que há outra frente de batalha: pôr a arquitectura a trabalhar a sério, para que cada GPU sirva mais gente durante mais tempo. Se esta linha de investigação pegar, o gargalo da IA deixa de ser só mais silício, passa a ser também quem consegue desenhar a memória mais esperta.

Fonte: The Register

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