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Google gasta 13 mil milhões na Finlândia para alimentar a sua IA

O maior investimento europeu da Google vai para quatro data centers finlandeses, ancorados em nuclear e eólica. Não é altruísmo verde, é sobrevivência energética em modo IA.

Google gasta 13 mil milhões na Finlândia para alimentar a sua IA

Treze mil milhões de euros em dois anos, quatro locais na Finlândia, e um recado claro ao resto da Europa: se queres IA em escala, traz a tua própria eletricidade. A Google anunciou um investimento de 13 mil milhões de euros em infraestrutura de data center em Hamina, Kajaani, Muhos e Vaala entre 2027 e 2028, o maior pacote único da empresa no Velho Continente. Mais do que um cheque gordo, é um mapa de como a corrida à IA está a reescrever o sistema elétrico europeu.

O pacote vem amarrado a um acordo de compra de energia por 22 anos com a finlandesa Fortum, para prolongar a vida da central nuclear de Loviisa, que hoje fornece cerca de 10% da eletricidade do país. Junta-se a isso a contratação de 629 MW de nova energia eólica onshore com a Valorem e a Suomen Hyötytuuli, mais uma bateria de 94 MW perto de Kajaani prevista para o final de 2027. Isto não é o típico “offset verde” para folheto de sustentabilidade, é pré-requisito físico: na região nórdica já não se assume que há ligação à rede só porque uma big tech apareceu com dinheiro.

O contexto ajuda a perceber o tom. A Dinamarca suspendeu novas ligações de grandes centros de dados depois de perceber que a sua rede, das mais limpas da Europa, não aguentava o pico de procura dos gigantes da nuvem. Bruxelas passou o último ano a pedir a famílias e empresas que mudem consumos para fora das horas de ponta porque os data centers de IA pressionam a rede. Em paralelo, a própria Google admite estar a mexer a fundo na forma como serve pesquisa e serviços na UE, sob pressão regulatória e energética, como já se viu no ajuste forçado da pesquisa na Europa.

A empresa é generosa nos números que lhe interessam. Fala em 3,6 mil milhões de euros por ano acrescentados ao PIB finlandês durante a construção, mais de 37.000 empregos suportados, dos quais 16.000 em construção, e 7.000 postos de trabalho permanentes com salários 24% acima da mediana finlandesa. O que não diz é quantos megawatts vão sugar estes quatro data centers. É muito precisa nos 629 MW de eólica que “adiciona à rede” e totalmente omissa sobre o consumo próprio. Sem esse número, ninguém consegue saber se a nova capacidade cobre o novo apetite energético ou apenas disfarça a fatura total.

O bloco nuclear é o mais interessante. Um contrato de compra de energia de 22 anos é mais longo do que o ciclo de vida económico típico de um centro de dados. Liga uma empresa de software ao risco operacional de um reator posto em marcha na década de 1970. Os hyperscalers passaram os últimos dois anos a descobrir o óbvio incómodo: a única energia firme e de baixo carbono disponível à escala que precisam é nuclear, e quase toda está comprometida. Pagar para manter centrais antigas em funcionamento é mais rápido do que mandar construir novas e infinitamente mais rápido do que esperar por pequenos reatores modulares que, por enquanto, vivem sobretudo em apresentações de PowerPoint.

Para a Finlândia, isto consolida uma estratégia que já vinha em marcha, com players como a TikTok também a montar centros de dados no país. Para o resto da Europa, Portugal incluído, há uma lição seca: quem quiser entrar a sério no jogo da IA não o faz só com engenheiros, faz com acordos de longo prazo de energia firme. Enquanto discutimos licenças e parques eólicos no mar, a Google assegura megawatts nucleares e eólicos para as próximas duas décadas. Na prática, está a reservar lugar na tomada para a sua IA, antes que a conta chegue à rede de todos os outros.

Fonte: The Next Web

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