Google empurra respostas de IA ainda mais acima nos resultados
Os resumos de IA da Pesquisa Google passam a abrir-se sozinhos em algumas pesquisas. Mais scroll, menos links à vista e ainda menos web aberta no ecrã inicial.
Os resumos de IA da Pesquisa Google passam a abrir-se sozinhos em algumas pesquisas. Mais scroll, menos links à vista e ainda menos web aberta no ecrã inicial.
A Pesquisa da Google está a esconder ainda mais a web atrás de caixas de IA. A empresa começou a expandir automaticamente os seus resumos de IA, os chamados AI Overviews, no topo da página de resultados para certos tipos de pesquisa, empurrando a lista clássica de links ainda mais para baixo.
Antes, a coisa era pelo menos semi-contida. Vias um excerto da resposta da IA com um botão “Show more” e decidias se querias abrir o resto ou simplesmente ir direto aos resultados normais. Agora, em algumas pesquisas, esse passo desaparece: surge logo o resumo de IA completo, seguido de uma caixa “Ask anything” para continuares a conversar com o motor, e só depois, lá em baixo, aparecem os links para sites externos. Em ecrãs pequenos, como num telemóvel, isto significa vários gestos de scroll até voltares a ver a web como a conheces.
O comportamento não é totalmente previsível, o que também diz muito sobre a fase em que a Google está. Segundo o jornalista Jay Peters, da The Verge, a expansão automática aparecia em grande parte das pesquisas de teste, depois desapareceu quase toda e voltou de forma intermitente. Uma das queries mais consistentes foi “what is the best game on switch 2”, mas mesmo essa não dispara sempre o modo IA expandido, nem em todos os browsers. Fica a sensação de teste em produção, com o utilizador como cobaia silenciosa.
Oficialmente, a história é outra. “Para algumas queries, os AI Overviews podem expandir-se dinamicamente em tópicos em que os nossos sistemas determinam que é mais útil para as pessoas”, explicou a porta-voz Jennifer Kutz à The Verge. Alega ainda que a investigação interna mostra que, com esta “experiência dinâmica”, as pessoas acham a Pesquisa “mais útil” e exploram mais coisas a seguir. Em teoria, se já tiveres começado a fazer scroll para ver o conteúdo abaixo do resumo de IA, a Google cancela a expansão para não te tirar a posição de leitura. Em teoria.
Na prática, o incentivo é óbvio. Quanto mais tempo ficas dentro da caixa de IA da Google, menos sais para outros sites, menos publicidade foge para fora e mais controlo a empresa tem sobre o teu percurso. A web aberta torna-se pano de fundo, não porta de entrada. Para quem depende de tráfego orgânico, desde jornais a pequenos blogs, isto é mais um apertão no funil. E para quem se preocupa com o consumo energético da IA, cada resposta gerada tem um custo bem maior do que um clique num link, como já se percebeu nas discussões sobre como os centros de dados de IA estão a multiplicar-se.
Do lado de quem pesquisa a partir de Portugal, o efeito imediato vai ser simples: mais caixas coloridas de IA, mais scroll, menos sensação de “página de resultados” e mais de “assistente que manda em tudo”. A Google continua a dizer que está só a tornar a pesquisa mais útil. O problema é que, cada vez mais, útil para a Google e útil para a web são coisas diferentes.
Fonte: The Verge
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