ChatGPT no iPhone ganha atalho para fotos e ocupa vazio da Siri
Um toque prolongado chega para puxar as últimas fotos no ChatGPT para iOS. Em plena guerra da Apple com Bruxelas, isto começa a parecer mais que um simples truque de qualidade de vida.
Um toque prolongado chega para puxar as últimas fotos no ChatGPT para iOS. Em plena guerra da Apple com Bruxelas, isto começa a parecer mais que um simples truque de qualidade de vida.
A OpenAI acabou de encurtar o caminho para uma das coisas que mais se faz com o ChatGPT no telemóvel: mandar fotos. No iPhone, se mantiveres o dedo no botão de mais ao lado da caixa de texto, a app passa a mostrar logo as tuas quatro imagens mais recentes, prontas a anexar. Nada de abrir menus, escolher Fotos, andar a vasculhar num rolo com dezenas de milhares de imagens.
Vista isolada, é daquelas novidades que costumam morrer em notas de atualização de app. Dois toques a menos, um bocadinho menos de fricção. Mas o contexto europeu transforma este detalhe num comentário político involuntário. Enquanto a OpenAI simplifica o acesso às fotos, a Apple mantém bloqueado no iPhone da União Europeia exatamente o tipo de função de câmara inteligente que exibiu em palco na WWDC, o evento anual de programadores da marca.
Em junho, a Apple mostrou um modo da Siri dentro da app Câmara e uma Visual Intelligence expandida, pensada para apontar o telemóvel para um objeto e perguntar qualquer coisa sem anexar ficheiro nenhum. Parecia a evolução natural de tudo o que já andamos a fazer com modelos multimodais, desde analisar recibos até perguntar que porcaria é aquela mancha na parede. Só que, na Europa, esses truques ficam no Mac e no Vision Pro. No iPhone e no iPad, nada, sem data. A justificação oficial aponta ao Digital Markets Act, a lei europeia que obriga gigantes de tecnologia com posição dominante a abrir portas de interoperabilidade.
A Apple diz que, se der à Siri o novo superpoder de IA generativa no iOS, as regras da Comissão Europeia podem obrigá-la a dar aos rivais o mesmo tipo de acesso profundo ao sistema. Propôs um modelo próprio, Trusted System Agent, e uma transição faseada de 18 meses. Bruxelas não foi na conversa. Resultado prático: centenas de milhões de iPhones na UE sem assistente visual nativo. Em Portugal, quem compra um topo de gama da Apple em 2026 continua com uma Siri que, na melhor das hipóteses, põe alarmes e manda mensagens, enquanto a concorrência no Android já está a experimentar modos de câmara com IA bem mais agressivos, como vimos no novo Pixel 11.
É exatamente para esse vazio que a OpenAI está a construir. O tal atalho para as quatro últimas fotos é apresentado internamente como “uma funcionalidade divertida para power users” e chegou num pacote semanal que também inclui melhor noção da hora atual e conversas longas a carregar mais depressa na web. Mas, na prática, é a aproximação possível ao cenário ideal: em vez de apontar a câmara e falar com a Siri, abres o ChatGPT, manténs o dedo no mais, escolhes a foto que acabaste de tirar e fazes a pergunta. É menos elegante que integração a nível de sistema, aceita-se. Mas é o que existe, e para muita gente vai ser suficiente.
Enquanto a Apple tenta vencer um braço-de-ferro regulatório sem abdicar do controlo do iOS, outros ocupam o espaço deixado livre. A OpenAI já está a expandir publicidade em 31 países europeus e quer claramente que o ChatGPT seja a camada de IA por cima de tudo, mesmo em plataformas que não controla. A ironia é simpática: num continente obcecado com gatekeepers, o bloqueio à Siri de nova geração está a empurrar utilizadores de iPhone diretamente para os braços de uma app de terceiros. Não é o futuro polido que a Apple mostrou em palco, mas é uma solução suficientemente boa ativada por um toque prolongado.
Fonte: The Next Web
Comentários · 0