Pixel 11 estreia modo de câmara que a Apple devia copiar já
O Pixel 11 trouxe um controlo simples sobre o grau de processamento das fotos. A Apple continua presa à estética HDR para todos, mesmo para quem só quer ver o sensor a trabalhar.
O Pixel 11 trouxe um controlo simples sobre o grau de processamento das fotos. A Apple continua presa à estética HDR para todos, mesmo para quem só quer ver o sensor a trabalhar.
O novo Pixel 11 não mudou muito por fora, mas a Google mexeu onde conta para quem fotografa: no processamento. A linha estreou os Camera Looks, um conjunto de perfis que define, antes do disparo, quão “cozinhada” vai ser a imagem. Não são filtros por cima da foto, são decisões sobre o pipeline de processamento. Em linguagem menos técnica: é escolher o estilo da foto ainda antes de o sensor começar a debitar bits.
À superfície soa ao que a Apple já tem com os Estilos Fotográficos do iPhone. Mas a Google decidiu ir mais longe e seguir a tendência óbvia dos últimos anos: devolver algum caos e textura às fotos. Entre os novos perfis há nomes como Editorial, Velvet, Classic, Digi, Black Tie e, sobretudo, Minimal. O destaque não é por acaso. Minimal desliga uma boa parte da máquina HDR, corta naquela obsessão por sombras levantadas e céus sempre azuis, e aproxima-se do que o sensor realmente vê.
Digi é o lado oposto mas igualmente interessante. Imitar compactas digitais dos anos 2010, com baixo alcance dinâmico, mais ruído e contraste duro, é admitir que nem toda a gente quer a mesma foto limpa, plana e brilhosa para Instagram. O mérito da Google aqui nem é o revivalismo. É assumir, de frente, que o smartphone não tem de fingir ser sempre uma DSLR perfeita. Vindo de uma empresa que no software tende a complicar, surpreende ver esta abordagem relativamente honesta. Sobretudo quando, em outras frentes, anda a fechar demasiado o jogo, como se viu quando complicou o acesso ao kernel dos Pixel.
Do lado da Apple, há ProRAW e Estilos Fotográficos. Sim, com ProRAW consegues puxar o ficheiro para um estado menos processado, com menos sharpening absurdo e menos HDR teatral. Mas isso implica edição a sério, tempo, aplicações e algum conhecimento. A maior parte das pessoas quer sacar o telemóvel, fotografar e ter logo uma imagem com o carácter que imagina. Não quer passar o serão a corrigir o que o algoritmo decidiu que era “melhor”.
É aqui que a Apple fica a perder. A empresa gosta de falar em iPhone como a melhor câmara no bolso, mas continua a assumir que todos querem o mesmo look: pele alisada, sombras abertas, reflexos domados. Os Estilos Fotográficos foram um primeiro passo, mas são tímidos perante o que a Google acaba de pôr no Pixel 11. Um simples modo “Minimal” no iPhone, que reduzisse o processamento ao essencial e deixasse o sensor falhar com dignidade quando tiver de falhar, faria mais pela fotografia móvel do que mais uma lente ou mais um X de zoom.
Para quem fotografa em Portugal, isto é especialmente relevante. Céu cinzento, interiores pouco iluminados, festas de família em salas amarelas, tudo isto é terreno fértil para HDR agressivo e cores artificiais. Ter um botão claro que diga “não, hoje quero a verdade, não a versão de marketing” seria bem-vindo. A Google já percebeu o recado com o Pixel 11. Se a Apple quer continuar a ditar tendências de imagem no telemóvel, vai ter de aceitar algo básico: fotografia é expressão, não é um preset único decidido em Cupertino.
Fonte: 9to5Mac
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