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Visa compra BioCatch por 2,2 mil milhões para travar fraudes com IA

A gigante dos pagamentos puxa a biometria comportamental para dentro da rede. Porque a conta global das burlas com IA já se mede em biliões.

Visa compra BioCatch por 2,2 mil milhões para travar fraudes com IA

Quando a Visa paga cerca de 2,2 mil milhões de euros em dinheiro por uma empresa, não é por capricho. A BioCatch, nascida em Telavive, vende algo que os bancos começam a perceber que já não é opcional: biometria comportamental para apanhar burlas antes de o dinheiro sair da conta.

Em vez de códigos por SMS ou perguntas de segurança, a BioCatch olha para como mexes no telemóvel ou no teclado. Ritmo de escrita, pressão no ecrã táctil, padrões de swipe, forma como seguras o dispositivo. Tudo isto gera um perfil que distingue utilizadores reais de bots, contas tomadas de assalto ou operadores de call centers fraudulentos. Hoje, a empresa diz proteger 760 milhões de utilizadores em cerca de 350 bancos. A Visa, só em 2023, processou mais de 329 mil milhões de transacções, avaliadas em mais de 17 biliões de dólares.

O contexto é pouco animador. A própria Visa estima que burlas, esquemas e “account takeovers” já custem à economia global mais de 1 bilião de dólares por ano. A explosão de modelos generativos tornou mais barato lançar campanhas de phishing em massa, fabricar deepfakes plausíveis e escalar golpes com um grau de personalização que há cinco anos parecia ficção científica. Não por acaso, estudos recentes apontam para aumentos de quase 90% em ataques assistidos por IA e até para a própria IA a ser atacada.

A BioCatch foi clara num texto recente: “Enquanto sociedade e indústria, não estamos a ganhar esta luta.” O número de contas-mula, vítimas e tentativas de fraude continua a crescer, em alguns casos de forma exponencial. Fraude com deepfakes terá subido 3.000% desde 2023. A tese de venda da empresa é simples, e a Visa subscreve-a com um cheque gordo: só algo que escala ao ritmo da IA ofensiva consegue defendê-la. Verificar identidade através de comportamento, não apenas com o que o utilizador sabe ou possui, é uma das poucas abordagens que não colapsa quando os atacantes também usam modelos generativos.

Com a compra, a Visa reforça a sua divisão de “serviços de valor acrescentado”, onde já vende software de prevenção de fraude, cibersegurança e análise de dados. É também uma forma de puxar a segurança para dentro da própria infraestrutura de pagamentos, em vez de depender de soluções externas que vivem “ao lado” dos rails. A leitura estratégica é óbvia: se as redes de pagamentos não controlarem esta camada, alguém o fará por elas, seja um grande banco, seja uma big tech.

Para quem usa cartões em Portugal, isto traduz-se menos em novos produtos visíveis e mais em decisões atrás do ecrã. Mais transacções bloqueadas “preventivamente”, mais desafios de verificação em operações suspeitas, potencialmente menos responsabilidade directa dos bancos quando algo falha. Numa altura em que se discute quem paga a factura quando agentes de IA fazem estragos, a Visa responde com a solução mais confortável para si: comprar o árbitro e integrá-lo no próprio campo. Se isso chega para travar a vaga de burlas, é outra conversa.

Fonte: The Next Web

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