IA

Nvidia junta Microsoft e SpaceX na nova Open Secure AI Alliance

Aliança quer usar modelos abertos para reforçar ciberdefesa e travar regulações que tratem IA aberta como risco por defeito.

Nvidia junta Microsoft e SpaceX na nova Open Secure AI Alliance

A Nvidia acaba de montar mais um palco global para a sua agenda de IA. Chama-se Open Secure AI Alliance e junta 27 membros fundadores, entre eles Microsoft, SpaceX, Dell, IBM, Red Hat e a Linux Foundation. O objectivo declarado é reforçar a cibersegurança com ferramentas abertas em torno da IA. O objectivo não declarado é influenciar já o debate regulatório em Washington, Bruxelas e arredores.

A Nvidia usa um caso recente para justificar a necessidade desta aliança. Num ataque à plataforma Hugging Face, a empresa tentou primeiro usar modelos comerciais fechados para analisar o incidente, mas os pedidos foram barrados pelas próprias barreiras de segurança desses modelos. Só quando passou para um modelo de código aberto, o GLM 5.2 com pesos abertos, conseguiu analisar mais de 17.000 acções e conter a intrusão. Para a Nvidia, isto é a prova de que confiar apenas em IA fechada, controlada por meia dúzia de fornecedores, é um risco directo para a defesa.

No lado das contribuições, a Nvidia promete disponibilizar modelos abertos, pesos de modelos, dados e novos “agent harnesses” para acelerar o desenvolvimento de ferramentas de cibersegurança. A HPE fica encarregue de padrões e métodos para verificar criptograficamente agentes e serviços de IA. A Hugging Face traz o formato Safetensors, pensado para guardar pesos de modelos de forma mais segura. Microsoft, SpaceXAI, IBM e Red Hat prometem também tecnologia de IA em código aberto. Para uma empresa que tem vivido de vender GPUs caríssimas a quem treina modelos gigantes, esta aposta em IA aberta não é altruísmo, é estratégia para manter a dependência de hardware, como se viu no investimento recente da Nvidia na Coreia do Sul através da Naver e da SK, num negócio de cerca de 1.000 milhões de dólares.

A aliança quer ir além da técnica. Pede a governos que invistam com empresas em infraestruturas abertas de IA e que tratem modelos abertos como “activos defensivos, não responsabilidades”. Critica restrições generalizadas a modelos de fronteira abertos, dizendo que isso enfraquece a capacidade defensiva e concentra poder em poucos fornecedores fechados. O timing não é inocente. A administração Trump estará a estudar uma proibição alargada de modelos de IA abertos chineses, que começam a ganhar terreno a alternativas fechadas como as da OpenAI e da Anthropic, sobretudo por serem mais baratos de usar.

Curiosamente, os grandes nomes da IA fechada não aparecem nesta fotografia. OpenAI, Anthropic, Google e a própria Meta, que apesar do discurso aberto gosta de controlar o tabuleiro, estão ausentes da lista de fundadores. A aliança nasce, assim, como um bloco de fornecedores de infraestrutura e software empresarial que querem travão a qualquer legislação que ponha os modelos abertos no mesmo saco de risco que os fechados. Para a União Europeia, já mergulhada no AI Act e em regras de cibersegurança, esta pressão vai chegar embrulhada em relatórios e whitepapers com o selo da “comunidade”.

Para quem está em Portugal, isto traduz-se em mais uma camada de complexidade na escolha de ferramentas de IA para cibersegurança. Por um lado, há argumentos fortes a favor de modelos abertos auditáveis em contexto de defesa. Por outro, alianças lideradas por empresas com o peso bolsista da Nvidia não são exactamente movimentos de base. São blocos de poder a disputar regras do jogo. A diferença é que desta vez o argumento central não é produtividade nem hype de IA generativa, é segurança, sempre um termo apetecível quando se quer influenciar reguladores.

Fonte: Engadget

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