IA

AMD entra nos humanoides com startup ligada a Eric Trump

A parceria com a Foundation leva os chips Ryzen AI para robots de fábrica e de combate. A fronteira entre indústria e guerra fica ainda mais borrada.

AMD entra nos humanoides com startup ligada a Eric Trump

AMD passou meses a tentar provar que não vive à sombra da Nvidia em IA. Agora escolheu um palco bem diferente: o interior de um robot humanoide pensado tanto para linhas de montagem como para o campo de batalha.

A empresa vai fornecer o poder de computação para os robots da Foundation, uma startup de São Francisco que tem Eric Trump como investidor e conselheiro de estratégia. A Foundation já testou o seu modelo Phantom na guerra da Ucrânia e ganhou contratos do Pentágono para desenvolver humanoides para as forças armadas dos EUA. Para AMD, que durante anos foi “número dois” em silício de IA, atacar logo o segmento mais sensível da robótica é um recado direto à Nvidia, que tem dominado discretamente este mercado.

O acordo, anunciado a 23 de julho, coloca os robots da Foundation a correr em processadores Ryzen AI Embedded X100 Series, lançados em janeiro e pensados para sistemas embebidos. Não há valores divulgados, mas há contexto: Eric Trump e Donald Trump Jr. têm vindo a montar um portefólio de defesa e hardware, com apostas na israelita XTEND (drones), na Unusual Machines e na Powerus. Quando a mesma família salta entre Casa Branca, contratos de defesa e startups militares, o risco de conflitos de interesse não é teoria académica, é o modelo de negócio.

Polémicas à parte, a Foundation está a avançar depressa. Garante que a primeira geração Phantom MK-1 ajudou a montar mais de 24.000 carros em 2025 e que hoje opera cinco dias por semana em instalações de clientes, algo que poucos fabricantes de humanoides conseguem reclamar. Fala em 100 milhões de dólares de receita recorrente anual contratada, ainda por receber, e num modelo de leasing: cerca de 100.000$ (~92.000€) por ano por unidade industrial e 300.000$ (~275.000€) pela versão de defesa, orientada para manuseamento de materiais e reconhecimento.

O próximo Phantom MK-2 foi desenhado de raiz em torno de silício AMD, reforçado para chão de fábrica e frente de combate. A Foundation aponta resistência a vibrações de 100G, certificação IP67 contra pó e água e visão a 360 graus, um tipo de ficha técnica escrita para armazéns e para zonas de conflito ao mesmo tempo. A empresa reclama ser a única a construir humanoides “dual-use” para indústria pesada e defesa. É difícil confirmar quando concorrentes como a Tesla, a Figure ou a Agility fazem promessas parecidas, e quando até gigantes como a Samsung já criaram uma divisão de robótica dedicada à chamada IA física.

Onde a AMD tenta diferenciar-se é nas mãos. Graças aos FPGAs (field-programmable gate arrays) herdados da compra da Xilinx, a Foundation diz conseguir coordenar 23 graus de liberdade com feedback táctil de alta frequência num “único ciclo de controlo determinístico”. Em linguagem menos de marketing, isto significa controlar dedos e sensores com menos latência e mais precisão, algo crítico se se quer o mesmo robot a apertar parafusos numa fábrica e a operar em cenários militares. O acordo também junta CPUs, gráficas e computação adaptativa da AMD para correr perceção, raciocínio e controlo motor na mesma plataforma, numa resposta direta à arquitetura integrada da Nvidia.

Para quem olha de fora da bolha militar norte-americana, o sinal é claro: o dinheiro sério da robótica humanoide está a alinhar-se com defesa, não com entregar pacotes em centros urbanos. E quando os grandes fabricantes de chips apostam neste lado do tabuleiro, o resultado previsível é uma geração de humanoides desenhada de origem para aceitar tanto uma palete num armazém como ordens de um comando militar. A tecnologia é fascinante, mas o rumo não está a ser decidido em laboratórios de universidades europeias, está a ser definido em reuniões entre fornecedores de chips e o Pentágono.

Fonte: The Next Web

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