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G7 quer estatuto de “parceiro de confiança” para IA feita nos EUA

Depois de Washington cortar o acesso estrangeiro aos modelos de topo da Anthropic, os aliados sondam um canal especial. A Europa descobre quanto depende da IA americana.

G7 quer estatuto de “parceiro de confiança” para IA feita nos EUA

Quatro dias depois de Washington mandar desligar os modelos mais avançados da Anthropic ao resto do mundo, o tema já estava a ser cozinhado à mesa do jantar no G7, em Evian-les-Bains. Segundo fontes ouvidas pelo TNW, representantes de vários países levantaram com o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, a ideia de um regime de “parceiros de confiança” que voltasse a abrir a porta aos modelos mais potentes feitos na América.

O gatilho foi claro: em 12 de junho, seguindo uma diretiva do Departamento de Comércio, a Anthropic bloqueou o acesso de estrangeiros aos seus sistemas Mythos 5 e Fable 5. Como a filtragem fina em serviços de cloud partilhada é complicada, a empresa optou pelo nuclear, desligou os modelos globalmente. Como já explicámos quando a Anthropic fechou os modelos, foi o primeiro controlo de exportação direcionado não ao hardware, mas à própria inteligência em forma de modelo.

Para os aliados o choque não é técnico, é político. Controlos a chips são rotina, a América passou anos a decidir que GPUs podiam ou não ir para a China. Mas agora a arma é o acesso aos modelos em si, incluindo para cidadãos de países do G7. De repente, Paris, Berlim, Roma ou Tóquio percebem que a IA de fronteira que usam em bancos, defesa ou cibersegurança é uma torneira em Washington. Torneira que pode ser fechada num memorando.

Daí a proposta: criar uma lista de “trusted partners”, países ou até empresas específicas, que manteriam acesso a Mythos 5, Fable 5 e afins. O argumento é embalado na linguagem preferida de Washington, segurança antes de negócio. Se os aliados tiverem os melhores modelos, dizem, ficam mais bem armados para defender infraestruturas críticas e redes contra adversários como a China. Em teoria, é um pitch alinhado com a própria prioridade estratégica americana.

Na prática, isto sublinha o embaraço europeu. Entre a Casa Branca a temer fugas para a China e Bruxelas a aprovar o AI Act, a UE continua sem alternativa doméstica comparável a Mythos 5. Fala de “soberania digital”, mas na hora da verdade discute como entrar para a lista VIP de um fornecedor americano. Ser “parceiro de confiança” é melhor que ficar no lado de fora, mas continua a ser dependência, só com um crachá mais simpático.

Por agora nada está fechado. As conversas foram exploratórias, à margem, sem carimbo formal dos líderes. Mesmo que avancem, um regime destes cria uma nova hierarquia geopolítica da IA, onde quem não for considerado “fiável” fica relegado a modelos inferiores ou a soluções caseiras. Para Portugal, que usa IA em banca, saúde e administração pública e compra quase tudo fora, o sinal é simples: enquanto não houver músculo europeu sério em modelos de topo, discutimos lugares na fila, não as regras do jogo.

Fonte: The Next Web

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