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YouTube no Android começou a auto‑tocar vídeos parados, sem pedir licença

A app no Android está a relançar, sozinha, o último vídeo pausado depois de horas sem uso. Há milhares de queixas, zero botão para desligar.

YouTube no Android começou a auto‑tocar vídeos parados, sem pedir licença

Abres o YouTube no telemóvel de manhã, só para ver notificações, e levas com o podcast da noite anterior a berrar do nada. Não é azar nem dedo grande. É o novo comportamento de reprodução automática da app no Android.

O que está a acontecer: se deixares um vídeo pausado, fechares o YouTube e voltares passado várias horas, a app volta a abrir a repetir esse vídeo desde o início. Sem carregares em play, sem pré‑visualização discreta, nada. O efeito parece não se manifestar quando reabres a app poucos minutos depois, o que sugere uma espécie de “retoma de sessão” agressiva ao fim de mais tempo.

O problema é que ninguém tem opção para desligar isto. As definições de autoplay, onde normalmente controlas se os vídeos continuam a seguir uns aos outros ou se há reprodução automática no feed, não tocam neste comportamento. Daí a avalanche: vários tópicos no Reddit com centenas de comentários a chamar-lhe “tremendamente irritante” e, num único tópico de ajuda oficial do YouTube, mais de 3.000 pessoas a confirmar que lhes acontece o mesmo. Quando este nível de barulho não é tratado como bug óbvio, começa a parecer mais uma “experiência” que o Google decidiu testar em produção.

Há cenários em que isto é só chato, e outros em que é francamente mau. Quem usa o YouTube para adormecer com podcasts, meditações guiadas ou faixas de ruído branco acorda com a app a relançar exactamente o mesmo vídeo mal a abre no dia seguinte. Quem paga YouTube Premium para ter reprodução em fundo e menos fricção sente, com razão, que está a subsidiar funcionalidades que não pediu e que ainda por cima não pode desligar. No meio disto, os utilizadores gratuitos também são apanhados: basta fechares a app com um vídeo pausado, e arriscas uma banda sonora involuntária no autocarro ou numa reunião.

As primeiras queixas remontam a março, e parecem estar a alargar a base de afectados com o tempo. Há quem diga que desinstalar e voltar a instalar a app resolve, pelo menos temporariamente, mas isso é remendo, não solução. Também não há qualquer indicação clara de que a mudança esteja a ser testada em iOS, o que reforça a ideia de mais um “experimento” direcionado para Android, onde o YouTube tradicionalmente estica a corda antes de assumir que uma alteração é permanente.

Não é a primeira vez que o YouTube brinca com a reprodução automática sem aviso. Em 2025, a app começou a auto‑tocar o vídeo do topo do feed assim que era aberta, comportamento que também começou como alegado bug e acabou assumido como teste de funcionalidade. O padrão repete‑se: mexe‑se em algo básico, não há comunicação decente, e o utilizador que se desenrasque em fóruns. Enquanto o Google não admitir o que está a fazer nem der um simples botão de off, a mensagem é clara: a app segue a lógica de retenção de plataforma, não a de respeito mínimo por quem a usa.

Fonte: Android Authority

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