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Xodus quer pôr o PC Game Pass a correr nativo em Linux e macOS

Novo projecto open source tenta furar o bloqueio do Game Pass ao Windows, com Proton, Wine e engenharia inversa. Ainda não jogas hoje, mas o recado à Microsoft já lá está.

Xodus quer pôr o PC Game Pass a correr nativo em Linux e macOS

O Game Pass para PC sempre foi uma montra bonita trancada por dentro: catálogo forte, preço competitivo, porta só para Windows. Agora apareceu o Xodus a tentar arrombar essa porta, de forma aberta e assumida, em Linux, Steam Deck e macOS.

O projecto nasce da mesma malta que mantém o Heroic Games Launcher, mais contribuidores independentes. Foi anunciado a 10 de agosto como ferramenta open source para correr títulos de PC Game Pass e jogos baseados no GDK (Game Development Kit da Xbox) de forma nativa, isto é, instalados e a correr localmente, sem streaming. É a continuação lógica daquilo que a comunidade tem feito com Proton e Wine: se a Microsoft não porta, o pessoal porta por ela.

O problema de fundo está no runtime proprietário do GDK, que amarra estes jogos ao Windows. Para o contornar, o Xodus encosta-se a três pilares: Proton, um fork customizado de Wine, e runtimes obtidos por engenharia inversa, como a famosa xgameruntime.dll. É trabalho delicado, tecnicamente e legalmente, e a equipa nem finge que isto é trivial. Mas também não está a brincar: já têm autenticação Microsoft/Xbox Live a funcionar via xal-rs, uma biblioteca em Rust, já conseguem obter licenças, sacar pacotes e desencriptar ficheiros MSIXVC em disco.

O que ainda falta é a parte que interessa ao jogador: arrancar o jogo do princípio ao fim sem partir. O artigo original descreve-os a reconstruir camadas do Xbox Gaming Runtime no Wine e a afinar patches. Em termos práticos, hoje ainda não substitui o Windows em dual-boot no teu portátil gaming ou no PC da sala. Mas já passa de prova de conceito: há um pipeline funcional até ao momento em que o executável devia começar a respirar. Num cenário em que até o próprio Linux se vê a braços com o peso dos updates de kernel empurrados pela IA, como o próprio Torvalds admitiu, ter voluntários a investir horas nisto diz muito sobre o apetite por alternativas.

Até aqui, quem queria Game Pass em Linux tinha de se contentar com o Xbox Cloud Gaming: streaming, latência, compressão, qualidade a oscilar e obrigatoriedade de subscrição Game Pass Ultimate, mais cara que o Game Pass para PC normal. Xodus ataca precisamente este trade-off, ao tentar pôr os jogos a correr localmente, como qualquer título Proton na tua biblioteca Steam. Em teoria, se isto amadurecer, um Steam Deck pode tornar-se na máquina portátil Game Pass que a Microsoft nunca se decidiu fazer.

Falta perceber até que ponto a Microsoft vai fechar os olhos ou apertar o cerco técnico e jurídico. É uma empresa que adora falar de amor ao open source, mas continua a amarrar o Game Pass ao Windows e à sua infraestrutura proprietária. Xodus ainda está longe da versão “clicar e jogar” que o comum utilizador de Linux ou macOS espera, mas já cumpre um papel importante: expõe o bloqueio artificial e mostra que, do ponto de vista técnico, estes jogos não têm nada de mágico que justifique ignorar metade dos sistemas operativos de secretária lá de casa.

Fonte: Open Source For You

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