Filtros de privacidade colados ao ecrã e capas com aba lateral são o equivalente moderno ao post-it no portátil: protegem mais a consciência do que os dados. A Xiaomi acha o mesmo e decidiu atacar o problema à nascença com o Smart Privacy Display da série Xiaomi 18 Pro, apresentado em detalhe numa ronda de explicações no Weibo, conta o Android Authority.
Em vez de um filtro escuro por cima do painel ou de um modo de software que estraga as cores e o brilho, o Xiaomi 18 Pro mexe na unidade mínima do ecrã: o pixel. O painel está dividido em duas grelhas alternadas, uma de píxeis “normais” de grande ângulo e outra de píxeis de privacidade de ângulo estreito. Estes últimos têm micro-barreiras físicas nos lados, que estreitam o feixe de luz. Em modo standard acendem-se os dois tipos de píxeis, o ecrã comporta-se como um OLED topo de gama. Em modo de privacidade, desligam-se os píxeis normais, ficam só os de feixe estreito, e tudo o que esteja para lá dos 60 graus de ângulo de visão cai para cerca de 1% do brilho frontal. Para quem está ao lado, o ecrã é praticamente preto.
A Xiaomi sublinha que o truque não vem com a típica factura em qualidade. Em vez dos arranjos Diamond ou Pentile usados noutras marcas, incluindo o Galaxy S26 Ultra com o seu próprio Privacy Display, o 18 Pro recorre a uma faixa de subpíxeis RGB “SuperPixel 2.0” contínua. Nas contas da marca, o modelo 18 Pro Max chega a cerca de 9,5 milhões de subpíxeis, nível de um painel 2K, mas com consumo mais próximo de um ecrã 1,5K. A promessa é simples: com a privacidade desligada, não se nota perda de definição ou artefactos a distância normal de utilização. Se é marketing ou engenharia sólida só se saberá com testes independentes, mas o caminho faz mais sentido do que pôr filtros escuros em cima de um painel caro.
O hardware do ecrã não se fica pela privacidade. A Xiaomi fala num novo material luminescente M11, pico de brilho até 4.000 nits e cobertura da gama de cor BT.2020. Ou seja, números para disputar o topo da tabela Android em HDR e legibilidade ao sol. Isto encaixa na estratégia de empurrar o 18 Pro para o patamar de “flagship” sério, depois de já ter confirmado um ecrã secundário na traseira com truques próprios, como descreve o Android Authority ao olhar para o segundo ecrã traseiro da série.
No software, a Xiaomi tenta não estragar o que o hardware oferece. O modo de privacidade pode ser ligado nas Definições Rápidas, num botão físico dedicado à IA, por comandos de voz ao Xiao AI ou através de regras por aplicação e até por página específica. Exemplos óbvios: ligar automaticamente em apps de banca ou em janelas de chat. A câmara frontal pode detectar um ombro curioso atrás de ti e avisar ou escurecer logo as margens. Há ainda automatismos por localização, como activar no escritório e desactivar em casa. Não é um conceito novo, mas aqui apoia-se num painel realmente diferente em vez de ser mais uma camada de software por cima de um OLED genérico.
A grande dúvida é se esta tecnologia sai da China. Segundo o Android Authority, a Xiaomi deve levar alguns modelos da série 18 para os mercados internacionais, mas não está garantido que o Smart Privacy Display venha no pacote global. Se ficar preso ao mercado chinês, será mais uma daquelas ideias interessantes que os europeus só vêem em vídeos importados, enquanto no resto do mundo se continua a confiar que ninguém está a olhar para o ecrã no comboio. Se chegar cá fora e a promessa de “sem penalizações” se aguentar, será um bom motivo para os outros fabricantes Android deixarem de fingir que o problema não existe.
Fonte: Android Authority
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