Xbox prepara novos modelos de negócio para fugir à crise da RAM
A Microsoft está a repensar a próxima Xbox e admite modelos de consola 'radicalmente diferentes' para não rebentar orçamentos num mercado estrangulado pela memória.
A Microsoft está a repensar a próxima Xbox e admite modelos de consola 'radicalmente diferentes' para não rebentar orçamentos num mercado estrangulado pela memória.
A crise global da memória, baptizada de RAMageddon, está a fazer a Microsoft puxar o travão àquilo que parecia ser o rumo óbvio da próxima geração Xbox. A empresa está a reavaliar o Project Helix, a sua futura consola, e a admitir publicamente que o modelo clássico de “caixa premium cara, uma vez por geração” pode não aguentar muitos anos.
Matthew Ball, responsável de estratégia Xbox, diz que a equipa está a “repensar tudo” no Helix para garantir que a consola chega ao mercado com preços mais baixos e maior flexibilidade. Em outubro, a antiga presidente da divisão, Sarah Bond, descrevia o próximo hardware como uma máquina muito premium e muito de topo. Entretanto, os custos de RAM e armazenamento dispararam e a realidade estragou o discurso de luxo. O que antes era ambição de performance hoje parece mais risco financeiro.
A nova CEO da Xbox, Asha Sharma, foi ainda mais crua numa entrevista à Fortune: “Estamos numa crise, a indústria inteira está.” Sharma fala em repensar a própria construção de custos da consola, criar planos diferentes para que mais gente possa entrar no universo Xbox e procurar parcerias para melhorar distribuição e alcance. Lido de forma menos simpática, isto soa a: o hardware topo de gama está a fugir do bolso da maioria, especialmente quando se pede às pessoas que gastem centenas de euros a cada geração.
Sharma chega a dizer que será difícil imaginar audiências de massa a gastar “milhares de dólares” ao longo de uma geração de consolas e que vão surgir modelos de negócio “radicalmente diferentes” já no fim deste ano. Para Portugal e resto da Europa, onde salários e preços de eletrónica raramente dançam ao mesmo ritmo, isto é mais do que conversa de investidor. Consolas que custam 500€ ou 600€ são objectos de luxo em muitas casas. Se a RAM continuar inflacionada, ou a Microsoft subsidia pesado ou vai ter de fatiar a oferta em camadas, financiamento agressivo, publicidade, bundles de subscrições, ou tudo ao mesmo tempo.
A empresa já testou um caminho desses com o Xbox All Access, que juntava consola e Game Pass numa mensalidade durante 24 meses. O programa acabou silenciosamente depois de vários retalhistas abandonarem a ideia, o que mostra que vender consolas como se fossem tarifários de telemóvel não é tão simples como parecia. Ainda assim, nada impede a Microsoft de voltar ao conceito, desta vez com mais subsídio direto em troca de te prender ao Game Pass durante anos.
Sharma adiantou também que a Xbox vai “fazer mais neste verão” com o Game Pass para criar ofertas mais flexíveis, depois de baixar o preço do Game Pass Ultimate em abril e de ter fechado um acordo com o Discord para oferecer uma edição inicial do serviço a quem paga Nitro. O passo lógico seguinte é reforçar opções suportadas por anúncios, desde jogos free-to-play com publicidade integrada até tiers de subscrição mais baratos mas menos limpos. A dúvida não é se o hardware da próxima Xbox muda. É até que ponto a consola deixa de ser produto e passa a ser porta de entrada para um serviço que paga a festa toda, memória cara incluída.
Fonte: The Verge
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