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Xbox chega às TVs Hisense com VIDAA OS sem precisar de consola

A app Xbox está a aparecer em TVs Hisense e outras com VIDAA OS desde 2024. Para muita gente, isto pode ser o primeiro contacto “a sério” com jogos de consola, sem comprar hardware.

Xbox chega às TVs Hisense com VIDAA OS sem precisar de consola

Se compraste uma TV Hisense recente e ela corre VIDAA OS, há uma boa hipótese de já teres uma consola “virtual” ligada à parede da sala. A app Xbox está a ser distribuída para modelos com VIDAA lançados entre 2024 e 2026, incluindo alguns de outras marcas que usam o sistema, como Toshiba e fabricantes europeus. Não é magia, é streaming pela nuvem, mas para muita gente o efeito é o mesmo: jogos de consola sem consola física.

A jogada da Microsoft é clara. Em vez de depender só da venda de hardware dedicado, a divisão Xbox quer pôr Game Pass em tudo o que tenha ecrã e internet. Já o fez com TVs Samsung, LG e dispositivos Amazon Fire TV. Agora ataca um segmento onde Hisense tem vindo a crescer na Europa, Portugal incluído, com televisores baratos e agressivos em promoções de grandes superfícies como Worten ou FNAC. A mensagem é simples: se não consegues justificar 300€ ou 500€ numa Xbox, talvez consigas encaixar mais 10€ por mês na subscrição.

Para jogar na app é obrigatório ter Game Pass. Qualquer escalão serve, excepto o plano só para PC. Lá fora os preços são 10, 15 e 23 dólares por mês para Essential, Premium e Ultimate, o que se traduz grosseiramente em ~9€, ~14€ e ~21€ na paridade actual, embora a Microsoft costuma ter tabelas próprias por região. Ultimate é o pacote completo, com acesso a mais de 500 jogos e lançamentos no primeiro dia. O modelo de negócio é o de sempre: entrada barata, catálogo grande, hábito criado. Quem quiser mesmo jogar vai ficar preso à mensalidade, não ao hardware.

Há dois requisitos que convém não ignorar. Primeiro, internet decente. Game Pass é streaming, por isso sem ligação estável a casa não há Halo para ninguém. Para um T0 com fibra tranquila em Lisboa ou Porto isto é quase dado adquirido, mas basta pensar em ligações ADSL ou 4G fora dos centros urbanos para perceber que a promessa “TV = consola” ainda é muito urbana. Segundo, precisas de um comando: um comando oficial Xbox, ou outro comando Bluetooth compatível. A barreira de entrada deixou de ser a caixa de plástico da consola, passou a ser a rede e o periférico.

Nos bastidores, a Microsoft também anda a testar um modelo curioso: permitir que jogadores façam streaming na nuvem de jogos que já compraram, de forma gratuita, financiado por publicidade. Para já é só para Insiders, o programa de testes, e não há garantias de que chegue tal como está ao público em geral. Mas encaixa na mesma estratégia de largo alcance. Depois do apagão global recente da Xbox, que mostrou como dependemos dos servidores da marca até para usar jogos comprados, confiar todo o acesso a uma app numa TV ainda mais fechada merece algum cepticismo.

Para quem tiver um televisor compatível, o processo é prosaico: garantir que o software da TV está actualizado, ir à secção Games no ecrã inicial e ver se a app Xbox já aparece instalada. Se não estiver, a Microsoft diz que a distribuição vai continuar a chegar gradualmente a TVs com VIDAA OS. É a versão televisiva do que a empresa já faz no PC e no telemóvel: reduzir a fricção até o serviço ser o caminho óbvio. Resta saber quantas pessoas em Portugal vão trocar a solidez de uma consola física pela conveniência de uma app numa TV que daqui a cinco anos, quando a marca decidir parar as actualizações, pode ficar sem “consola” de um dia para o outro.

Fonte: Engadget

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